terça-feira, 10 de maio de 2011

11 POSTAGEM ! postei 2 capitulos, vocês vão amar a partir de agr =)


Capítulo 12: Kevin se Revela
Nicholas Narrando

Quando eles ouviram minha voz, imediatamente se separaram, bocas vermelhas, ofegantes. Joe estava sem camisa e Emily, descabelada. Eles estavam dando uns amassos tão violentos que eu fiquei na dúvida se chegaram às vias de fato ou não.
“JOE?”-Gritou Emily surpresa, ao perceber quem estava beijando.
“Yeah, baby!”-Respondeu o idiota, sorrindo vaidosamente.
Ambos riam descontroladamente. Me perguntei se eles tinham a mínima noção do que estavam fazendo. Fiquei um pouco constrangido, mas eu precisava convencê-los a ir embora.
“Eu detesto ser o estraga-literalmente-prazer, mas vamos embora. A coisa está ficando preta por aqui.”
Joe e Emily me olharam com desdém, soltaram mais uma sonora gargalhada, e voltaram a se agarrar. Joe jogou a pobre Emily contra a parede e eu até tive um pouco de pena dela.
“Joe, vai matar a pobre coitada assim!”-Murmurei, puxando Emily pelo braço.
Joe nos seguiu, protestando.
“EU QUERO FAZER UM AMORZINHOOOOOO!!!”-Gritou ele.
Para o meu azar, ou pura coincidência, a música parou nesse exato momento. 
“Eu também!”-A voz sinistra e afeminada respondeu, não sei de onde.
Lógico que aquelas palavras chamaram a atenção de todos e, devo ressaltar que lá, a maioria eram homens, ou quase. Revirei os olhos, larguei o braço de Emily e saí arrastando Joe o mais rápido que pude, ou poderia acontecer uma catástrofe.
Quando eu já estava próximo a mesa, apareceu uma mulher loira, alta, forte e me jogou um copo de cerveja na cara. Era só o que faltava.
“Por que justo eu?”-Perguntei irritado.
“Aquela moça me pagou 50 euros para fazer isso.”-Respondeu a mulher, apontando para Miley, sentada à mesa, que acenava contente, enquanto Liam, ao seu lado, ria.
Naquele momento, eu tive vontade de espancar os dois.
Capítulo 12: Kevin se Revela
Nicholas Narrando

Quando eles ouviram minha voz, imediatamente se separaram, bocas vermelhas, ofegantes. Joe estava sem camisa e Emily, descabelada. Eles estavam dando uns amassos tão violentos que eu fiquei na dúvida se chegaram às vias de fato ou não.
“JOE?”-Gritou Emily surpresa, ao perceber quem estava beijando.
“Yeah, baby!”-Respondeu o idiota, sorrindo vaidosamente.
Ambos riam descontroladamente. Me perguntei se eles tinham a mínima noção do que estavam fazendo. Fiquei um pouco constrangido, mas eu precisava convencê-los a ir embora.
“Eu detesto ser o estraga-literalmente-prazer, mas vamos embora. A coisa está ficando preta por aqui.”
Joe e Emily me olharam com desdém, soltaram mais uma sonora gargalhada, e voltaram a se agarrar. Joe jogou a pobre Emily contra a parede e eu até tive um pouco de pena dela.
“Joe, vai matar a pobre coitada assim!”-Murmurei, puxando Emily pelo braço.
Joe nos seguiu, protestando.
“EU QUERO FAZER UM AMORZINHOOOOOO!!!”-Gritou ele.
Para o meu azar, ou pura coincidência, a música parou nesse exato momento. 
“Eu também!”-A voz sinistra e afeminada respondeu, não sei de onde.
Lógico que aquelas palavras chamaram a atenção de todos e, devo ressaltar que lá, a maioria eram homens, ou quase. Revirei os olhos, larguei o braço de Emily e saí arrastando Joe o mais rápido que pude, ou poderia acontecer uma catástrofe.
Quando eu já estava próximo a mesa, apareceu uma mulher loira, alta, forte e me jogou um copo de cerveja na cara. Era só o que faltava.
“Por que justo eu?”-Perguntei irritado.
“Aquela moça me pagou 50 euros para fazer isso.”-Respondeu a mulher, apontando para Miley, sentada à mesa, que acenava contente, enquanto Liam, ao seu lado, ria.
Naquele momento, eu tive vontade de espancar os dois.
“Muito engraçado, agora vamos embora!”-Falei, puxando Miley pela camisa. Ela me xingou de algo que eu nem consegui entender. 
“Seu irmão se deu bem, hein?!”-Afirmou Liam, observando Joe e Emily que ainda se agarravam desesperadamente.
Se eu soubesse que ia ser o único a não se divertir, também teria comido o maldito bolo.
Quando estávamos bem próximos da saída, uma voz familiar ecoou de um lugar qualquer:
“COMPADRES!”
Ao me virar, me deparei com os dois narcotraficantes que conhecemos na cadeia!
POR QUE ESSAS COISAS ACONTECEM JUSTO COMIGO?
Joe, imediatamente, largou Emily e se jogou nos braços dos colombianos.
“Eu senti tanta falta de vocês!”
O incrível foi que os narcotraficantes corresponderam, emocionados.
“O que vocês estão fazendo aqui?”-Perguntei, temendo a resposta.
“Nosotros fugimos de la prisión.”-Respondeu o homem de lenço vermelho na cabeça. O outro apenas sorriu,enquanto mascava um pouco de fumo.
“Arriba, muchachos! Vamos comemorar!-Disse Joe, ainda doidão.
“Si! Tequila!”-Completou Miley, sem nenhuma noção do ridículo.
Liam pareceu indiferente, ele devia estar acostumado àquele tipo de gente.
“Nosotros trouxemos la danadita! Ustedes venham!”-O homem com chapéu de cowboy já ia puxando Joe, quando interferi.
Me perguntei se os três comedores de bolo conseguiriam ficar ainda mais alucinados do que já estavam.
“Não, não! Nós já estamos indo embora, obrigado mesmo assim, nos vemos por aí.”-Falei, empurrando Joe, Emily e Miley para fora do bar. Eu não estava nem um pouco a fim de outra noite na cadeia.
“Esperem, hermanos! Fiquem com nuestro teléfono.”
Parei, esperando que ele desse um papel com o número para Joe, e nem acreditei quando o vi entregando um aparelho celular.
“É pra mim?”-Perguntou a anta do Joe.
“Si, si, acabamos de roubar! Me liguem, lo número esta adentro de la memória.”
Revirei os olhos. O que eu podia fazer?
Ouvimos ao longe sons de sirenes e o bar começou a ficar agitado.
“POLÍCIA!”-Alguém gritou.
Os colombianos se olharam e saíram correndo.
“Ainda nos encontraremos, compadres!”-Gritaram, já distantes.
Era agora ou nunca, precisávamos sair dali rápido.
Deu um pouco de trabalho, enfiar Miley, Joe e Emily dentro de um táxi, mas consegui, aturando protestos e xingamentos. Peguei minha Suzuki e Liam me seguiu na moto de Miley.
Quando chegamos em frente à casa, Liam estacionou a moto de Miley e foi embora no táxi. Miley, que passou a noite inteira estranha, ficou meio tristonha quando o meu amigo foi embora sem se despedir. Eu também teria ido embora correndo, se pudesse. Eu ainda não estava entendendo qual era a da Miley, e o que Liam tinha a ver com isso? Afinal, ela era lésbica, certo? Não ia me importar, só tinha que colocar aqueles três malucos para dentro de casa.
Agora, somente Joe e Emily continuavam com a crise de risos. Estávamos passando pelo jardim, quando percebi que não os podia levar para dentro de casa naquele estado. Avistei a piscina e soube o que deveria fazer.
“Emily, vem cá!”-Pedi e ela veio correndo.
Joguei a anãzinha dentro da piscina, na esperança de que a água fria a fizesse recuperar a sanidade. Joe ria da sua “ficante”, mal sabia ele que logo chegaria sua vez.
“Agora é você, Cyrus, venha!”-Falei, fazendo sinal com a mão. Ela arregalou os olhos e deu um passo atrás.
“Você não vai me jogar dentro d’água! Se manca, Jonas!”
Bufei e fui em direção à ela. Eu não queria bancar a babá, mas sabia que Billy ia ficar furioso ao notar que eles estavam drogados.
Miley pareceu perceber minhas intenções e saiu correndo para o outro lado da piscina. A segui e ficamos lá, feito gato e rato. Ela corria em volta da piscina, comigo perseguindo-a.
“NEM ME PEGA, NICKGAYZINHO!”-Berrou a infeliz.
Como uma criatura tão pequena podia ser tão irritante? Foram mais voltas na piscina do que eu poderia contar, aquilo já estava virando infantilidade.
Finalmente, cansei de correr e coloquei as mãos no joelho, exausto. 
“Tudo bem, Miley, você que sabe, você que vai explicar a Billy que está doidona!”
Como eu esperava,ela deu de ombros. Caminhei lentamente em direção à entrada da casa, fingindo desistir. Ela não se moveu, ficou lá rindo de Emily, que parecia um pinto molhado dentro da piscina.
Quando eu já estava próximo à porta, notei que ela estava distraída, de costas para mim. Era a minha chance. Corri com as forças que me restavam, me joguei em cima dela, e, ambos caímos na água.
Meus braços ainda estavam em volta dela, quando tocamos o fundo da piscina. Miley chacoalhava-se, tentando sair da prisão feita por mim, mas era inútil, eu não ia largá-la, até ter certeza que ela não me arrancaria mais cabelos. Submergimos quando a falta de ar ficou insuportável.
Puxamos o ar, ofegantes. Joe tomou distância e correu, pegando impulso para se jogar com tudo na piscina, fazendo espirrar água para todos os lados.
“É O PISCINÃO DA ALEGRIA!!”-Gritou ele, alto demais.
Miley relaxou nos meus braços, bocejando e respirando forte. Ela devia estar muito cansada depois de uma noite muito louca. Decidi então, soltá-la. Não entendi a relutância de meus braços ao fazer isso, mas fiz. 

Miley Narrando

O sol que adentrava a janela, incomodou meus olhos. Minha cabeça parecia que ia explodir. Me virei e cobri meu rosto com o edredom. Eu acho que tive um sonho muito louco, as imagens borradas e confusas misturavam-se na minha cabeça. No sonho, eu ria como louca, dançava macarena e cantava em cima de um balcão de bar. NOSSA! Que sonho sinistro! Rolei na cama, exausta. Meu rosto ficou descoberto e abri um olho. Então, eu vi minha guitarra em cima de uma cadeira. Como ela foi parar ali?
Sentei-me tão rápido, que o quarto pareceu girar, meus olhos saltaram para fora e minha respiração sumiu. As lembranças da noite passada, vieram como flashs.
Liam, racha, vergonha, bar, banheiro feminino, piada, bolo, euforia, gargalhadas, macarena, karaokê...
Era demais para minha cabeça, não podia acreditar que fiz tudo aquilo. Deitei-me, peguei um travesseiro, enfiei na cara e ...
“AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHH...”
Quando resolvi sair do quarto, já era quase hora do almoço. Eu nem queria comer, tudo o que eu queria era muita aspirina. As vozes que eu ouvia, vinham da minha cabeça, ou alguém discutia na sala? Apressei o passo e logo desci as escadas. Na sala, Emily estava vermelha que nem um pimentão e Joe ria, largado no sofá.
“Não conte o que aconteceu para ninguém! É bom me ouvir, Joe!”
Fiquei confusa, do que ela estava falando? E se não queria que ninguém soubesse, por que estava gritando? Cocei a cabeça, tentando entender.
“Eu não tenho culpa, foi você que começou, lembra?”-O Serial Killer falou entre risadas.
Nicholas descia a escada, com seu típico sorriso torto, e parou ao meu lado.
“Mentira! Você que começou tudo!”-Minha prima apontou para o bisonho.
“O que está acontecendo, Emily?”-Perguntei, ainda confusa. Emily não respondeu, apenas colocou as duas mãos no rosto.
“Emily e Joe deram uns amassos ontem à noite!”-Respondeu Nicholas, rindo.
Meu queixo caiu. Como eu não lembrava disso? Ah... o Liam! Eu não conseguia prestar atenção em nada além dele.
“Bico calado, Nicholas, ninguém deve saber disso!”-Falou ela, alterada.
“Por que não? Você adorou, olha o que você fez em mim, sua anã tarada.”-Disse Joe, mostrando um chupão no pescoço. Emily arregalou os olhos, sua expressão de susto e incredulidade era tão cômica, que Nicholas e eu rimos.
“Eu não me lembro disso.”-Se defendeu, constrangida.
“Eu não quero colocar mais lenha na fogueira, mas eu acho que vocês fizeram bem mais do que isso.”-Proferiu Joe, divertindo-se.
“O que?”-Perguntaram os dois.
“Acho que vocês transaram.”
Emily riu e Joe cruzou os braços,encarando-a.
“Eu não preciso me preocupar com isso...”-Emily passou a mão pelo vestido ajeitando-o, com uma expressão irônica. “Seu irmão, você sabe... não conseguiu.”
“EI!”-Protestou Joe. “EU NÃO BROXEI!”
“Broxou sim, admita!”
Nicholas aproximou-se do irmão e colocou um braço em volta do seu ombro.
“Cara, assim você me envergonha!”
“EU NÃO BROXEI!”-Berrou Joe e nós rimos. “Eu só bebi demais... e a luz não era favorável”-Terminou ele a frase, em um fio de voz, com as mãos no bolso e cabeça baixa.
“Ufa! De qualquer forma é um alivio não ter transado com o Joe, vocês não tem idéia.”-Explicou Emily.
“Ei, eu sou um gostosão, mas ainda tenho sentimentos.”-Respondeu ele chateado.
“Você quase transou com Joe?”-Para a nossa surpresa, a voz de Kevin veio da entrada da sala de jantar. Billy, Denise e Taylor estavam com ele.
Emily olhou para mim pálida e desabou no chão, inconsciente. Todos correram para cima dela.
“Rápido, Nicholas, vá buscar minha maleta médica no quarto!”-Ordenou Billy e o Jonas obedeceu.
Os olhos de Emily, fechados, tremiam e uma de suas mãos fechou-se. Aí, percebi que ela estava apenas fingindo. Prendi o riso. Eu sabia que ela, mentalmente, estava implorando por ajuda.
“Billy, é melhor levá-la para o quarto. Muita gente em volta não é bom.”-Falei, tentando ajudá-la.
“Você tem razão. Fiquem aqui, vou levar Emily para o quarto.”-Assentiu Billy. Emily devia estar agradecendo a Deus nesse momento.
Quando entramos no quarto, ela logo fingiu recuperar a consciência. Senti que Billy percebeu a farsa, mas ignorou. Ainda assim, ele examinou-a. Emily ficou deitada na cama e Billy veio falar comigo.
“Ela está bem, acredite.”
“Acredito, totalmente!”-Respondi, sorrindo.
Miley, eu andei pensando, o que você acha de sairmos juntos? Só eu,você e Taylor?”
Ergui as sobrancelhas. Aquelas palavras me pegaram de surpresa, fiquei na dúvida se ele queria passar um tempo comigo, ou se era uma tentativa de me convencer a aceitar seu noivado.
“E sua mosca morta usurpadora?”
Billy bufou.
“Por favor, não a chame assim, você precisa dar uma chance a Denise. Ela é uma pessoa maravilhosa.”
A dor e a raiva quase me fizeram sair dali correndo, mas fiquei e enfrentei.
“Ela é uma idiota, Billy, uma interesseira! Quando vai perceber isso?”
“Será que você não pode ser como a Taylor, ver as coisas com bons olhos?”
“Ah, então é isso? Você quer que eu seja como sua filha perfeita Taylor, não é? Eu sou só o motivo da sua eterna vergonha.”
“Você sabe que não foi isso que eu quis dizer, não distorça minhas palavras, eu...”
Não fiquei para ouvir o resto. Saí do quarto batendo a porta. Nada do que ele falasse, me convenceria do contrário.

Nicholas Narrando

Foi um alívio quando Billy voltou do quarto e anunciou que Emily estava bem. Não sei se os outros notaram, mas ele parecia aborrecido. Em seguida, meu futuro padrasto saiu em direção a seu escritório, talvez, para ficar um pouco sozinho. Eu até pensei em ir lá falar com ele, mas minha atenção foi desviada quando Kevin falou, olhando para o Joe:
“Você... e eu! Lá fora... agora.”-O tom era ameaçador. Joe o olhou, com os olhos arregalados, e até abriu a boca, mas nada disse. Levantou-se e seguiu a direção que Kevin indicava. Resolvi acompanhar os dois, curioso para saber qual a intenção de Kevin, já que sua expressão era inédita para mim.
Quando chegamos no jardim, a conversa foi iniciada por Kevin.
“Me diga o que realmente aconteceu entre você e a Emily.”
Joe, com certeza, não esperava aquela pergunta. Antes de responder, me olhou, confuso e eu retribuí com outro olhar, como se dissesse: “não sei de nada!”
A cara de bobo, que já era conhecida, deu um sorriso amarelo, antes de soltar:
“Ah, cara... tá bom. Olha só, o garanhão aqui deu uns amassos pesados na baixinha! Você tinha que ter visto!
Kevin baixou a cabeça, em silêncio. Pude perceber ele engolindo seco. Me perguntei o que estava havendo com o meu irmão, pois era a primeira vez que eu o via daquela maneira. Joe, preocupado, falou baixo:
“Kevin?”
“Fiquem aqui, eu já volto.”-Respondeu ele, em um fio de voz.
Então, ficamos esperando por cerca de três minutos, quando, de repente, a imagem bizarra surgiu à nossa frente! Kevin, com a cara mais assassina que já tinha visto nele, apontava um taco de beisebol para Joe!
“Agora você vai ver o que são uns AMASSOS PESADOS!!!”-Falou meu irmão mais novo, correndo em nossa direção.
“CORRE, JOE!!!”-Gritei, percebendo a tragédia que estava para acontecer.
Joe, desajeitado, começou a correr feito louco pelo jardim, berrando com a voz gasguita:
”SOCORRO, SOCORRO! O QUE FOI QUE EU FIZ, MEU DEUS?”
Não pude fazer mais nada além de correr atrás dos dois, na esperança de alcançá-los e evitar o assassinato.
O barulho produzido por eles, chamou a atenção das garotas Cyrus, que chegaram ao jardim ofegantes e confusas.
“O que está acontecendo?”-Perguntou Taylor.
Por eu ser o mais rápido, logo alcancei Kevin e me joguei em cima dele. Rolamos pela grama e consegui tomar de suas mãos o taco, ao me levantar. Kevin também levantou-se, furioso. Seus cabelos pareciam a juba de um leão raivoso.
“Kevin, vamos conversar!”-Falei amistoso.
“Me dá esse taco agora, Nicholas! Ou vai sobrar para você!”
“Não!”-Respondi firme.
Kevin ficou vermelho e veio em minha direção, tremendo de raiva. O que eu podia fazer? Não ia brigar com ele, saí correndo pelo jardim com o Kevin no meu encalço. Agora, era Joe que corria atrás dele, tentando livrar-me da fúria assassina de nosso irmão, que um dia consideramos “calminho”. Foi estranho como as posições se inverteram!
“DÁ NELE, KEVIN!”-Berrou Miley, animada, colocando mais lenha na fogueira.
Pela minha visão periférica, vi Taylor abanando, com as mãos, uma Emily mais branca que papel.
“PAREM, PELO AMOR DE DEUS! EMILY VAI TER UM PIRIPAQUE!”-Gritou Taylor, preocupada.
Kevin, para nosso alívio, parou de me perseguir. Ele arfava, enquanto cerrava seus punhos. Joe aproximou-se lentamente, temendo ser atacado.
Qual a sua, Kevin? O que eu fiz, cara?”

O meu temor se tornou realidade, quando Kevin agarrou Joe pelo colarinho e então, explodiu.

“Qual a minha? Qual a minha? De todas as garotas do mundo, você tinha que ficar logo com aquela... por quem me apaixonei?”

“O QUE?”-Perguntamos todos em uma só voz. Estávamos, simplesmente perplexos.

Então, ouvi um estrondo e logo percebi que se tratava de Emily, que acabara de ir ao chão.

“É, agora ela desmaiou de verdade.”-Afirmou Miley.
1ª Fase – Capitulo 13: Última capitulo da 1ª fase
Nicholas Narrando

“PAI, SOCORRO, É A EMILY!”-Gritou Taylor, enquanto abanava Emily inconsciente no chão.
O pedido de socorro de Taylor trouxe Billy ao jardim em menos de um minuto. Quando ele viu a imagem de sua sobrinha no chão, cruzou os braços e disse:
“Meu Deus, de novo?”
Billy levou Emily para o quarto mais uma vez, Kevin estava inquieto e preocupado enquanto estávamos no escritório do meu futuro padrasto, ouvindo um sermão de Denis. Kevin nem sequer olhava para Joe, isso jamais havia acontecido. Eu entendi poucas palavras das queixas vindo de minha mãe, minha atenção estava voltada ao fato de que meu irmão mais novo, “o certinho”, da família estava apaixonado. Eu nunca vi Kevin apaixonado, aliás, eu nunca vi Kevin com garota alguma. Joe e eu já estávamos aceitando a possibilidade de ele ser gay.
“Vocês nunca brigaram antes, nem quando eram crianças, o que deu em vocês agora?”-Perguntou minha mãe com expressão de incredulidade.
Começamos a falar todos ao mesmo tempo, cada um querendo explicar sua versão dos fatos. Eu mal podia me ouvir.
“UM DE CADA VEZ!”
Nos calamos, mas a última frase ecoou no escritório: “...Cara, ainda bem que eu broxei!”-Revirei os olhos. Lógico que aquilo saiu da boca de Joe. O fitei só para vê-lo esconder o rosto envergonhado entre as mãos. Kevin bufou, temi que ele tivesse outro acesso de “leão selvagem”.
Nossa mãe fechou os olhos e pôs uma mão na testa. Mesmo ela sendo uma mãe liberal de três marmanjos, com certeza, a frase do meu irmão bisonho não era o tipo de coisa que ela queria ouvir.
“Vocês já são adultos, por favor, resolvam esse problema conversando, não me envergonhem. Eu vou ver como Emily está, quando eu voltar é bom terem feito as pazes.”-Ordenou Denis, abrindo a porta. Ficamos lá, sentados num sofá, cabisbaixos.
Quando ouvimos a porta se fechar, Kevin vôou no pescoço de Joe. Tive que puxá-lo com toda a minha força, obrigando-o a soltar o pescoço do meu irmão mais velho que já estava ficando roxo.
“Calma, Kev, me ouve, cara!”-Esbravejei, já chateado.
“Kevin, eu...”-Imediatamente, tapei a boca de Joe. Tudo que ele falava só piorava a situação.
Ainda com a mão na boca de Joe comecei meu discurso pacificador.
“Kevin, é o seguinte. O bar que fomos estava uma loucura. Emily estava doidona, só notou que estava beijando Joe, quando os flagrei. O Joe não fazia idéia de que você estava apaixonado pela anãzinha, além disso, você sabe como ele é. Beija qualquer coisa que tenha seios!”-Pela minha visão periférica, vi que Joe me lançava um olhar reprovador. Fiz ainda mais pressão com a mão para evitar que qualquer babaquice saísse daquela boca, pois Kevin estava começando a se acalmar.
Meu irmão mais novo bufou, sentou-se e percebi que finalmente ele voltou ao normal. Parecia que seu lado leonino havia adormecido.
“Nick, eu reprimi o meu sentimento por Emily no início, mas depois de saber que ela ficou com Joe, eu simplesmente explodi. É como se algo tivesse sido tirado de mim...”-Ele arrumou as mechas de cabelo, ajeitou o colarinho da camisa e continuou. “Talvez a chance de namorar ela tenha se perdido, porque agora, ela vai me comparar com o Joe. Eu não tenho experiência nesse lance de garotas.”
Soltei Joe e me sentei ao lado de Kevin. Coloquei um braço em volta do seu pescoço, já sabendo o que deveria dizer.
“Mano, a Emily não é nenhum puritana, já namorou outros caras, ela não vai se prender a uns beijos bobos trocados em uma noite, em que ela estava drogada. Que se dane o lance de experiência. Se você chegar junto dela com a mesma ferocidade com que quase matou o Joe, ela gama, acredite em mim. Nick vê, Nick sabe!”-Sorri.
Joe sentou-se do outro lado e eu lancei um olhar do tipo “se falar, morre”. Para a minha surpresa, ele abraçou nosso irmão. Ergui a sobrancelha quando vi Kevin corresponder o abraço. Havia sido mais fácil do que imaginei convencê-los a fazer as pazes. Em seguida, Kevin veio me abraçar sorrindo. Eu tinha que falar, a frase estava presa na minha garganta.
“Cara, tinha como esse momento ser mais gay?”
“O que você disse?”-Perguntou Joe, enxugando as lágrimas na manga da camisa. Revirei os olhos, tinha sim!
“E agora, caras, o que eu faço? Emily já sabe que estou apaixonado. E se ela me der um fora?”-Perguntou Kevin, visivelmente aflito.
“Eu tenho um plano, Emily é do tipo romântica, do tipo que chora por tudo, certo? Eu sei exatamente o que vamos fazer para você ganhar a garota!”-Afirmei, sorrindo.
“É! Confie em nós, parceiro, algum dia já te deixamos na mão?”-Perguntou Joe.
“Por favor, não responda!”-Pedi, assim que Joe calou a matraca.

Miley Narrando

Já fazia mais de uma hora que Emily tinha se recuperado do choque de saber que Kevin era apaixonado por ela. Ainda assim, não saímos do quarto, quero dizer, ela não me deixava sair do quarto. Estava totalmente obcecada com a aparência, e mudou de roupa umas mil vezes. Era um saco! Eu até fingia lhe dar atenção, mas a verdade é que só conseguia pensar em Liam e o quanto eu queria vê-lo novamente. Suspirei alto me jogando na cama. Se eu ouvisse Emily perguntar mais um vez que cor de blusa ela deveria usar, com certeza eu ia fazê-la engolir a peça de roupa.
“O que você tem, sua rabugenta?”-Perguntou ela, vendo que eu estava prestes a morrer de tédio.
“Nada.”-Menti.
“Quando você responde assim, eu sei que está mentindo. Conta logo tudo!”-Ordenou, me chacoalhando.
Ignorei, e ainda assim, ela percebeu o motivo da minha tristeza.
“Deixa eu adivinhar...”-Falou ela, fingindo concentração. “Seu mal humor tem um nome: Liam Hemsworth. E também tem um corpitchu sarado. Adivinhei?”
Eu não consegui conter o sorriso quando ela pronunciou o nome do meu Liam.
“Porque não o chama para sair?”
“Oh, Emily é mesmo? Eu vou fazer isso agora...” – Peguei uma escova de cabelo, fingi discar o número e comecei a falar. “Oi Liam, sou eu a garota débil mental, blá,blá,blá,bláaaaa. “
“Isso seria um começo.”
“Até parece que tenho o número de telefone dele.”-Resmunguei, esfregando o rosto.
Emily ficou em silêncio, olhando para o teto e remexendo a boca.
“Ranger rosa, hora de morfar!”-Gritou ela, saltando da cama.
Me perguntei se minha prima tinha batido a cabeça com força, quando desmaiou no jardim.
“Não saia daqui, Miley, eu já volto.”
Esperei cerca de 5 minutos e, lá vinha a beijoqueira de Serial Killer, saltitando.
“Me dá seu celular.”- Pediu ela, com a mão estendida.
Achei, no mínimo, estranho aquele pedido, mas tirei o celular do bolso da calça e entreguei.
Emily começou a cantarolar uma porcaria de música qualquer, enquanto mexia nas teclas. Sério, eu estava pra dar um tapa nela, só para testar, quem sabe eu me sentiria melhor.
“O que você está fazendo?”-Perguntei, finalmente perdendo a paciência
“Guardando na memória do seu telefone o número do Liam, para você poder...”
Não deixei a peste terminar de falar, saltei da cama em uma explosão inesperada de entusiasmo.
“Como você conseguiu?”-Perguntei incrédula.
“Simples, fui até o Nicholas e pedi o celular dele emprestado para mandar uma mensagem de texto, alegando que o meu ficou sem bateria. Ele nem pensou duas vezes e me entregou o aparelho. Aí foi só procurar o número do badboy e decorar! Não agradeça, eu sei que sou um gênio maquiavélico do amor.”-Disse rindo, vaidosa.
Para o meu terror, comecei a ofegar, só de me imaginar ligando para Liam.

"Imaginação"

Peguei o celular confiante, apertei a tecla verde e a ligação foi iniciada. No segundo toque, Liam atendeu.
“Alô?”
“Olá, Liam, aqui é Miley Cyrus. Nos conhecemos noite passada, lembra? Nos divertimos bastante em um bar...”

“Nem precisa terminar de falar, é lógico que eu me lembro .Na verdade, eu não consegui parar de pensar em você, amor, preciso muito te encontrar novamente. Tenho sonhado em te pegar em meu braços e...”


MILEYMILEY? ACORDAAAAA PRA CUSPIR!”-Gritou Emily no meu ouvido, me tirando abruptamente do meu doce devaneio.
“O que foi, droga?!”-Falei chateada.
“Vai ficar aí, sonhando acordada babando, ou vai ligar?”-Perguntou, estendendo a mão com o celular. O peguei, olhei para o visor e minhas pernas tremeram.
“Liga você.”-Respondi, devolvendo-lhe o aparelho.
“Não mesmo! Você que tem que ligar!”-Disse ela, jogando o celular.
Balancei a cabeça e empurrei o telefone para as mãos de Emily.
“Não, não! Liga agora!”-Falou, arremessando-o de volta para mim.
Eu não tinha a menor condição de ligar para Liam. Tinha certeza que minha voz sumiria.
“Por favor, você tem que fazer isso!”-Pedi, entregando o aparelho.
Emily bufou.
“Liga, Miley!”
“Não! Liga você!”
“Tudo bem, eu ligo...”-Decidiu ela, pegando o telefone e apertando o botão verde. “Mas você fala!”-Disse a descarada, colocando o celular no viva voz. Eu podia ouvir o toque de chamada e congelei.
“Alô?”- A voz masculina perguntou, e eu bem sabia que aquela linda voz pertencia ao meu Liam.
Emily abriu um sorriso de orelha a orelha, e eu ia enfartar a qualquer momento. Peguei o celular o mais rápido que pude.
“Alô?”-Repetiu ele.
Minhas mãos tremeram, abri a boca para falar, mas nenhum som saiu de mim. Fechei os olhos e desliguei o telefone.
“EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ DESLIGOU!”-Esbravejou minha prima. Pois é. Nem eu acreditava.
“Eu não sabia o que falar, ok? Me dá um tempo, eu tenho que pensar!”-Respondi, alterada.
“Não tem segredo, filha, é só convidar pra sair!”
“NÃO!”-Gritei, querendo encerrar a conversa.
Nos encaramos em silêncio. Por mais que Emily estivesse querendo ajudar, me pressionar só estava piorando a situação. Foi aí, que meu pior pesadelo se tornou realidade: o telefone tocou!
“AAAAAAAAAHHHHHHH!”-Gritei ao me assustar, joguei o aparelho para Emily, que pálida, pegou-o antes de cair no chão e começou a chacoalhá-lo no ar e a gritar.
“O QUE EU FAÇO? O QUE EU FAÇO?”-Perguntou pulando.
“NÃO ATENDE!”-Berrei quase tendo um AVC e também pulando. Por que? É um mistério!
“Ai, meu Deus. Ai, meu Deus... e agora?”-Nervosa, ela falou. Muito lindo da parte dela, liga para o cara e na hora que ele retorna a ligação, ela entra em pânico.
Não quis nem saber, peguei o celular, coloquei na cama enquanto ainda tocava, joguei um travesseiro em cima e, só para garantir, sentei-me no travesseiro.
“Reza, Emily, reza para ele nunca descobrir que o número que apareceu lá é o meu, ou você vai ...” –Não acreditei quando Emily me puxou com força pelo braço, me jogando no chão. Pegou, então, o celular e o atendeu.
Fiquei lá sentada no chão, esperando acordar do pesadelo a qualquer momento.
“Oi?”
“Olá, quem fala?”
“Liam, aqui é a Emily, amiga do Nicholas. Nos conhecemos ontem, lembra?”-Falou ela, com uma naturalidade assustadora. De onde ela tirou tanta coragem de repente?
“Sim, lembro. Tudo bem?”
“Tudo. Liam, eu liguei porque tem uma pessoa aqui que lhe deseja falar.”-Emily esticou o braço para me entregar o celular. Meu estômago embrulhou.
Respirei fundo, me agarrei a toda coragem que eu tinha e peguei o telefone.
“O-o-oi?”-Minha voz tremeu. P*** que pariu!
“Quem fala?”
“É... hum... Miley!”-Fechei os olhos.
É agora, Senhor, faz ele lembrar.
“Ah, sim, a garota da macarena, certo?”
Foi uma facada no peito, eu pensei em gritar todos os palavrões que conhecia, e até inventar alguns, mas tudo que fiz foi esticar o braço para Emily pegar o celular. Eu estava condenada. Ele lembrava de mim como a “garota da macarena”. Emily me encarou furiosa, com um olhar do tipo “agora fala, você já tá fodida”.
“Alô? Miley?”-Peguntou Liam, achando que a ligação havia caído.
“Liam, ah...bem...você não gostaria, não quer..”-Meu Pai do Céu, que frase mais difícil de sair. 
“Sim?”
Não tinha jeito, eu precisava falar.
“Vamos tomar café?”
O QUE? EU DISSE CAFÉ? VOCÊ TEM QUANTOS ANOS, ANTA? 50?
Liam fiou em silêncio e eu já estava dando adeus ao meu juízo. Emily aproximou-se apreensiva, esperando, assim como eu, a resposta.
“Eerr.. Ok! Amanhã, por volta das 3 horas.”
Eu podia ouvir o coro de ALELUIA, ALELUIA, ALELUIAAAAAAAAAA.
Emily me cutucou, tentando me manter longe dos devaneios.
“Onde nos encontramos?”-Perguntei, ainda nervosa.
“No hotel onde estou hospedado, se chama Maxim. Você sabe onde fica?”
“Claro!”-Menti. Não fazia idéia de onde ficava, mas eu que não iria passar atestado de mal informada.
“Então é isso, tenho que desligar agora. Nos vemos amanhã.”
“Ok, tchau.”-Respondi, quase me derretendo.
Quando desliguei o celular, quase saí flutuando pelo quarto. Emily me ajudou a levantar.
Miley vai ter um encontro, Miley vai ter um encontro...”-Cantarolou ela, mas eu nem liguei. Estava nas nuvens.
Já passavam da 00:00h e não conseguia dormir, estava ansiosa demais. Queria que o horário de me encontrar com Liam chegasse logo, eu ficava nervosa só de imaginar. Rolei na cama pela vigésima vez na esperança de dormir. Foi aí que ouvi um som anormal. Na verdade, não era um som e sim, um berro já conhecido.

“Upside inside out, she's living la Vida Loca. She'll push and pull you down
Living la Vida Loca” “ Joe, que porra de música é essa? O que foi que ensaiamos?”-Reconheci a voz de Nicholas.
“Ah, aquilo era um ensaio?”
Corri para a janela e lá estavam no jardim as três criaturas mais rídiculas que já conheci, os irmãos Jonas. Eles usavam ternos pretos, Nicholas e Joe seguravam violões e Kevin, um buquê de flores. Que aqueles retardados achavam que estavam fazendo?
“QUE PARANGOLÊ É ESSE?!”-Gritei, irritada.

Nicholas Narrando

“Joe, você não disse que essa era a janela do quarto da Emily?”-Perguntei, chateado.
“Era para ser…”-Respondeu ele, coçando a cabeça.
Por que, em nome de Deus, eu ainda dava ouvidos ao Joe?
Kevin, que já estava nervoso, parecia que ia ter uma dor de barriga a qualquer momento. Ele suava, enquanto tentava arrumar o cabelo.
“E agora ?”-Perguntou meu irmão mais novo, trêmulo.
“Vamos chamar por ela, é o jeito!”-Afirmei, não encontrando outra saida.
“EMIIIIIIILY!!!”-Berrou Joe.
“Oh, meu Deus, que ridículo! Não me digam que isso era para ser uma serenata.”-Zombou Miley, rindo.
Bufei, ignorando a pirralha. Ela não ia me tirar do sério.
“EMILY, PELO AMOR DE DEUS, APAREÇA!”-Agora, quem gritou fui eu, impaciente.
Para a nossa felicidade, Emily apareceu em uma janela a poucos metros de distância e fomos correndo até lá. Ela estava engraçada, com a cara toda verde de algum creme facial qualquer.
“Eca, Emily! O que é isso verde na sua cara?”-Perguntou Joe.
A pobre coitada arregalou os olhos, encarou Kevin e …
“AAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHH!!!!”-Gritou, tapando o rosto com as mãos e saindo da janela.
Eu podia ouvir as gargalhadas de Miley, que ainda espiava e me perguntei como minha idéia romântica poderia dar mais errado.
“Eu desisto, isso não vai dar certo!”-Falou Kevin, cabisbaixo.
“Calma, mano. Olha, pior do que já está não pode ficar. Vamos cantar o que ensaiamos, só para ver o que acontece, ok?”-Falei, tentando transmitir confiança.
“Mas…”
“Sem mas!”-Interrompi. “É agora ou nunca!”
“Nick tem razão, vamos cantar. Quem sabe ela apareça.”-Disse Joe, animado.
“Joe, canta o que nós ensaiamos, ou eu mesmo vou te espancar com esse violão.”-Ameacei, lhe apontando o instrumento.
Miley Narrando

Eu não podia perder aquela! Fui correndo para o quarto de Emily. Abri a porta violentamente, mais parecendo uma louca.
“AAAAAAAAAAHHHHHHHH!!!!”-Ela gritou ao me ver.
Não aguentei, quase parti em duas de tanto rir. Emily estava com um pijama de patinhos e a cara toda verde.
“O que foi isso, Ranger rosa? Começou a morfar?-Zombei.

Time, it needs time (Tempo, é preciso de tempo)
To win back your love again(Para reconquistar seu amor)

Os três cantando, me dava vontade de dar um tiro na minha própria cabeça. Aquilo não era música e sim, um grunido de um porco sendo sacrificado. O pior é que cantavam a música mais brega que o mundo já viu. Still Loving You do Scorpions, nem meu pai ouvia isso.

I will be there, I will be there(Eu estarei lá, Eu estarei lá)
Love, only love... (Amor, apenas o amor...)

“É para você, madame.”-Afirmei, enquanto minha prima se jogava debaixo das cobertas.
“Eu quero MORRER! Kevin não pode me ver assim!”

If we'd go again(Se nós percorremos novamente)
All the way from the start(Todo o caminho, desde o início)

“Fica fria, eu vou te ajudar.”
“Como?”-Perguntou ela, colocando a cabeça para fora da coberta.
Fui até a janela e avistei os três tenores de araque. Nichlas até parecia saber tocar a música. Já Joe, só zoava, sem tocar porcaria nenhuma e Kevin, erguia as flores no ar, parecendo emocionado. Meu Pai, que cena.

I would try to change(Eu poderia tentar mudar)
The things that killed our love(As coisas que mataram o nosso amor)

“PAREEEEEEEEM!”-Gritei com todas as minhas forças. E eles pararam. No momento que vi o idiota do NICKZINHO abrir a boca para reclamar, continuei.”Eu tenho um recado da senhorita Emily.”
De relance, olhei para minha prima. Ela pareceu aliviada, e sorriu.
“FALA LOGO!”-Berrou Kevin.
“Ela disse para virem aqui!”-Eu sei, sacaneei. Não deu para evitar, era palhaçada demais. Os Jonas saíram correndo em direção à entrada da casa.
MILEY, EU VOU TE MATAR!”-Gritou ela, partindo em minha direção.
Saí correndo pelo quarto. Eu estava tendo uma crise de riso incontrolável. Emily me perseguia, enfurecida, mais parecia um mostro com aquela cara verde.
“EU SÓ ESTOU TENTANDO AJUDAR!”-Gritei em minha defesa. Mas isso não aplacou a ira da fofolete.
Infelizmente, Emily me alcançou.
“AAAAAÍÍÍÍÍÍÍÍ”-Berrei, ao sentir ela me puxando pelos cabelos.
“DESCE O BRAÇO, EMILY!”-Falou o imbecil do Nicholas.
Olhamos em direção à porta e, lá estavam os “cantores”. Nicholas e Joe riam, pois Emily ainda me segurava pelos cabelos e Kevin pareceu chocado.
“Vocês não poderiam fazer isso em um ringue com lama usando só biquine?”-Perguntou o bizonhento serial killer. 
Foi aí que a minha irmã fútil apareceu do nada.
“Olha, briga e ninguém me chamou. Quanta consideração.”-Reclamou Taylor.
Emily se deu conta do que estava acontecendo e pulou na cama, cobrindo-se com o edredom, totalmente envergonhada.
Os Jonas se olharam. Acho que eles não sabiam o que deveriam fazer.
“CANTA, MEU POVO!”-Ordenei, ainda tentando controlar a crise de riso.
E, para o pesadelo de Emily, eles cantaram.

You should give me a chance(Você deveria me dar uma chance)
This can't be the end(Isto não pode ser o fim)
I'm still loving you(Eu ainda te amo)
I'm still loving you(Eu ainda te amo)
I'm still loving you, I need your love(Eu ainda te amo, eu preciso do teu amor)

Kevin percebeu que aquilo não estava resultando em nada, e o romantismo tinha passado no outro lado da rua. Ele parou de cantar, mas as antas de seus irmãos, não.
“Parem!”-Pediu ele, sério. “Emily, eu preciso falar com você.”
“Eu não posso agora, vão embora!”
“Por quê?”
“Porque eu estou horrível, não quero que me veja assim.”-Respondeu ela, em um fio de voz.
O suposto maconheiro aproximou-se da cabeceira da cama e ajoelhou-se, para ficar mais próximo de minha prima.
“Emily, você é linda. Não importa o que você coloque no rosto. A sua beleza vai além de um rostinho angelical. Eu me… apaixonei pela forma como você sorri, pelo jeito que você se preocupa com todos, pelo seu bom humor, o jeitinho que fica saltitando quando está feliz...”
“Mesmo?”-Perguntou ela, com a voz embargada.
Kevin fez uma pausa e até mesmo eu fiquei nervosa.
“Emily, não importa como você esteja, não importa o que aconteceu entre você e Joe antes. Tudo o que eu quero é a chance de mostrar meus sentimentos por você. Por favor, me dê uma chance… Emily, quer namorar comigo?”
Emily sentou-se, jogando a coberta para o lado, totalmente surpresa. Seus olhos estavam repletos de lágrimas, mas o sorriso em seus lábios denunciava o que se passava dentro do seu coração.
“Eu quero. Sim, eu quero namorar com você!”-Respondeu ela, finalmente se jogando nos braços do maconheiro.
Eles se beijaram bem ali, na nossa frente. Por um momento, me senti em uma sala de cinema, enquanto observava aquela cena extremamente romântica. Fiquei feliz pelos dois, não entendi esse súbito romantismo, eu não sou romântica, mas foi inevitável.
Fitei os dois Jonas ao meu lado. Eles também sorriam, Taylor enxugava uma lágrima, me perguntei se era puro fingimento. Nicholas colocou uma mão no ombro de Joe e falou…
“Cara, Kevin desencalhou! Hora da dança da vitória!”
Revirei os olhos, quanta infantilidade. Mas lá estavam eles dançando de forma ridícula, em uma coreografia ainda pior.
“Tem mesmo necessidade dessa babaquice?”-Perguntei, cruzando os braços.
“Yeah, baby!”-Responderam, em côro, ainda fazendo a tal dancinha da vitória.
FALA SÉRIO!
Nicholas Narrando

Já passavam de 01:30h, e eu não tinha saco para dormir. Pensei em chamar Joe e sair por aí para dar uma volta. Mas eu não estava muito animado e rolei na cama. Então, ouvi batidas na minha porta. Levantei-me contra minha vontade. Eu já podia adivinhar quem era. Joe, provavelmente querendo sair para “pegar” umas italianas.
Quando abri a porta, fiquei surpreso em ver Taylor, sorrindo com uma garrafa de vinho na mão e duas taças.
“Estou sem sono, vamos beber um pouco?”-Perguntou ela.
Me afastei para que ela pudesse entrar no quarto. Taylor estava linda, seu vestido vermelho provocante valorizava as melhores partes de seu corpo perfeito. Ela não era o tipo de garota inocente. Taylor quer, Taylor pega. A garota bem sabia que eu estava afim dela, já fazia algum tempo e, se resolveu aparecer no meu quarto a 01:30h da manhã com uma garrafa de vinho, ela só podia estar atrás de uma coisa: SEXO.
Sentei-me em silêncio na cama, enquanto a observava encher as taças. Ela logo me ofereceu uma e tomei tudo em um só gole.
“Nossa, Nicholas, você está com sede, hein?”-Riu ela, provocando. Retribuí o sorriso, meio sem vontade.
Taylor aproximou-se e tocou meu rosto. Agarrei-a pela cintura e lhe joguei na cama. Para que deveríamos fazer joguinhos de sedução? Nós dois éramos adultos e queríamos apenas sexo. Com o meu corpo em cima do dela, finalmente a beijei. Os lábios dela eram macios e carnudos, mas, o beijo não foi explosivo como eu imaginei que seria.
A garota puxou minha camiseta e cedi a sua vontade. Taylor estava ofegando, quando cravou as unhas nas minhas costas. A beijei com fúria, porém, sem desejo. Me forcei a entrar no clima, rasgando-lhe o vestido. Seu corpo era ainda mais bonito do que eu imaginava. Eu não estava queimando de desejo, apenas, um pouquinho empolgado. Bem, empolgado o suficiente para dar a ela o que ela queria. A questão era, eu queria? Eu quis desde o primeiro momento que a vi, mas porque eu não estava feliz agora? O que estava acontecendo comigo?
Nós rolamos na cama e Taylor ficou por cima de mim. Ela sorria e eu fingi empolgação, quando ela enfiou a mão dentro da minha calça.
No dia seguinte, por volta das 14:00h eu estava sentado na sala, jogando playstation com Joe. Foi aí que minha atenção voltou-se para Miley, que ficou parada na porta de entrada como se fosse um estátua.
“Que foi pirralha, congelou?”-Provoquei. Para a minha surpresa, ela nem se moveu. Muito menos revidou a provocação. Continuou lá, de costas pra mim como se tivesse petrificado.
Soltei o controle do playstation e fiquei apenas observando-a. Até que hoje, ela não estava parecendo um trombadinha. Vestia apenas uma calça jeans sem rasgos e uma camisa de mangas compridas vermelha. Tinha algo acontecendo, eu podia sentir, só não sabia o que.
Miley suspirou alto, então saiu. Tentei ignorar e voltar a minha atenção para o jogo na tela, mas não consegui. Principalmente quando ouvi o ronco do motor da Ducati de Miley. Não deu para evitar, saí correndo em direção a garagem. Quando ainda passava pelo jardim, avistei Cyrus atravessar os portões do casarão. Eu estava curioso demais para ficar em casa. Então, montei em minha Suzuki decidido a segui-la.
Já passavam das 17:00h e eu já estava exausto de ficar espionando. Tinha perdido a graça, eu já tinha tomado várias cervejas em um bar de frente ao hotel Maxim. Pela Janela de vidro, observei por mais de três horas, Miley andar de um lado para o outro na calçada do hotel. Eu nem precisei me esconder, Miley parecia não notar nada em sua volta. Eu sabia que aquele era o hotel em que Liam estava hospedado. Eu só não sabia o que a encapetada da Cyrus estava fazendo ali.
Miley Narrando

Minhas pernas doíam, eu queria descansar, mas não conseguia me dar ao luxo de ficar sentada no saguão do hotel. Eu já havia roído todas as minhas unhas e ainda queria poder roer mais. No início, eu achei tudo normal. Fui até a recepção do Maxim e me informaram que Liam havia saído. Eu decidi esperar, afinal, ele havia marcado comigo as 15:00h e, ansiosa, eu havia chegado as 14:30hs. Eu sabia que agora já eram bem mais de 15:00h. Podia ver que logo a noite iria cair, mas, não queria olhar para o relógio. Não queria aceitar o óbvio. Parei de andar e me encostei em uma parede, exausta. Fechei meus olhos cansados e então, decidi aceitar a realidade, por mais dolorosa que fosse. Liam havia me dado um bolo. Um nó se formou na minha garganta e respirar se tornou difícil. A dor da angústia era quase física e eu queria alívio, queria amenizar a dor, mas não havia como. Era somente eu e a dor da decepção.
Meu Deus, Miley, o que você ainda está fazendo aqui? Ele não virá.
Pensei em ligar para Liam mais uma vez, mas sabia que era inútil, já havia feito isso várias vezes no decorrer das horas que ali passei. Será que ele não queria atender ou não podia atender? Queria me chutar por ainda estar ali esperando, mas o que eu podia fazer? A esperança de vê-lo me manteve ali como prisioneira. Era chegado o momento de me libertar, de deixar a esperança ir embora. Me forcei a caminhar em direção a minha moto, subi nela lentamente e coloquei o capacete. Dar a partida, no entanto, foi impossível.
Encolhi minhas mãos tentando aquecê-las, então, um Austin Martin preto estacionou em frente ao hotel. Só dei atenção, porque achava aquele modelo de carro sensacional. Para minha surpresa, Liam saiu de dentro do carro, deu a volta e subiu a calçada. Em um súbito, saí da moto e fui em sua direção, não pensei, não falei, só me aproximei.
Miley?”-Provavelmente, ele não esperava me ver.
Ao ouvir a voz daquele homem fascinante, me esqueci de todos os meus dilemas interiores, de todas as horas que fiquei esperando. Só queria poder estar ao seu lado. Sorri.
“Liam, você vai demorar? Eu estou com fome.”-A voz feminina veio de uma mulher alta, ruiva e incrivelmente linda,talvez uma modelo. Ela saiu de dentro do carro, segurou o braço do meu Liam e me lançou um olhar de desprezo.
Minhas pernas fraquejaram. Quem era ela afinal?
“Susan, essa é Miley, irmã do Nicholas, aquele meu amigo que lhe falei.”-Disse ele, apontando para mim. Eu não sabia o que fazer, não consegui tirar os olhos dos dois, e desejava com todas as forças que eles fossem apenas amigos. Então, Liam continuou.“Miley, essa é Susan Paisley, minha namorada.”
O chão sumiu embaixo dos meus pés, me senti em queda livre. A tal mulher me estendeu a mão sorridente, mas eu ignorei.
“Tudo bem, ela fez o mesmo comigo.”-Falou Liam, percebendo que eu não iria cumprimentá-la.
Meu estômago começou a embrulhar, tive vontade de chorar ali mesmo, mas, as lágrimas não vieram.
“Onde está Nicholas?-Perguntou ele sorrindo.
Depois de tantas horas esperando, ouvir que ele esperava me ver com o idiota do Nicholas foi um soco no estômago. Corri para a minha moto, dei a partida, enquanto eles ainda olhavam para mim, provavelmente me achando insana. Não dei importância, saí cantando pneu.
Eu queria fugir, queria correr, queria gritar, queria desaparecer. Mas tudo que eu podia fazer era acelerar a moto até que eu não ouvisse nada além do som do vento batendo no capacete.
Nicholas Narrando

Joguei algum dinheiro na mesa e saí correndo em direção à minha Suzuki, que estava estacionada perto do bar. Miley estava estranha demais, e saiu em uma velocidade fora do comum. Era melhor eu verificar se ela estava bem. Era o mínimo que eu podia fazer por Billy.
Enquanto eu a seguia, me perguntava como eu não havia percebido que ela estava gostando do Liam. Quer dizer, eu nem imaginava que a Cyrus tinha sentimentos, ela simplesmente odiava a tudo e a todos. Porém, vê-la com Liam, abriu meus olhos. Chegava a ser irônico que ela gostasse, justamente, do meu melhor amigo.
Confesso que achei humilhante a cena na calçada, mas, ela se acha tão esperta, deveria saber que Liam não daria importância a uma pirralha como ela.
Depois de um tempo rodando pela cidade, Miley estacionou próximo ao rio Adige, que corta a cidade. Ela foi em direção à ponte Pietra, e eu fiquei apenas observando de longe. Mil coisas começaram a passar por minha cabeça, idéias simplesmente surgiam inexplicavelmente.

Miley Narrando

Caminhei até o meio da ponte, parei e me encostei, olhando para a superfície da água abaixo de mim. O lugar estava meio vazio, ideal para eu respirar e digerir os acontecimentos. Como eu pude ser idiota o suficiente para imaginar que Liam poderia querer algo comigo? Eu já deveria saber que ele tinha uma namorada, ou mais de uma. Mas acho que eu quis enganar a mim mesma, só para ter um pouco de esperança. O que isso significava? Que eu tinha que esquecer o único homem por quem já senti algo?
Senti uma mão no meu ombro, me virei assustada e me deparei com Nicholas Jonas.
“Você está bem?”-Perguntou ele, amistoso.
“O que está fazendo aqui?”
“Eu quero te propor um acordo!”-Disse, retirando a mão do meu ombro. Fiquei extremamente confusa.
“Do que você está falando, idiota?”
Pisquei os olhos algumas vezes, tentando entender de onde ele saiu.
“Foi humilhante, hein? Aquela sua ceninha na frente do hotel.”
O choque percorreu meu corpo, como ele sabia o que tinha acontecido? Eu queria perguntar, mas estava surpresa demais.
“Eu segui você, vi tudo. Eu já sei que você tem uma quedinha pelo meu amigo.”-Falou ele com o sorriso torto que eu tanto odiava.
“O que? Ah... não... é... não!”-Eu queria negar com todas as minhas forças, mas as palavras não estavam saindo corretamente, devido ao choque. Parecia um pesadelo. Nichlas, justo Nicholas, saber dos meus sentimentos. Parecia até um castigo.
“É o seguinte, eu conheço o Liam, ele nunca vai gostar de uma garota que mais parece um trombadinha e fala um palavrão a cada 10 segundos. Aliás, acho que nenhum cara no mundo ficaria com você.”
“Ei!”-Falei, metendo o dedo na cara dele. “Você só pode estar com saudade de apanhar, Jonas! Me deixa em paz, não estou com saco pra você agora!”-Eu já estava enfurecida.
“Calminha...”-Disse ele, erguendo as mãos no ar. “Eu vim em paz. Quero te fazer uma proposta irrecusável.”
Confesso que fiquei curiosa. Cruzei os braços, fingindo indiferença, e permiti que ele continuasse.
“Vou explicar direitinho, porque você é meio lerda. Eu posso fazer o Liam se apaixonar por você em poucas semanas. Posso fazer seu sonho adolescente bobo se tornar realidade.”
“Como?”
“Simples, eu transformaria você em uma mulher de verdade. Mas não só uma mulher, a MULHER que todos os homens desejam. Te ensinaria a se vestir, a andar, a falar, dançar, a seduzir, até mesmo respirar.”-Ele falou aquilo de forma tão segura que me perguntei se ele estava só curtindo com a minha cara.
“Isso é alguma piada?”
“Responde pra mim, como você pretende competir com aquele mulherão com quem Liam estava? Sério, eu quero saber.”-Falou ele, cruzando os braços.
Abri a boca, deveria ter saído alguma resposta, mas meu cérebro não formulou nenhuma.
“Pensa só, Miley, Liam lamberia o chão que você pisa. Quando eu terminar com você, nunca mais homem nenhum vai te dar um fora, nunca mais você vai sentir essa sensação de rejeição que eu sei que você está sentindo agora.”-Nicholas sorriu como se estivesse falando a coisa mais simples do mundo.
Infelizmente, eu imaginei. Minha imaginação me levou a um momento em que Liam me aceitaria, me amaria. Um momento em que eu não me sentiria inferior como me senti perto da tal ruiva. Suspirei tentando colocar os pensamentos em ordem.
“Eu não preciso da sua ajuda, Emily pode me ajudar com isso.”-Respondi em um tom de rejeição, achando que eu tinha tudo sob controle.
“Mesmo? Eu acho que não! Emily não tem a metade da experiência que eu tenho, Emily não conhece a mente dos homens. Além disso, eu e Liam somos muito parecidos. Ninguém conhece ele tão bem quanto eu.”-Nicholas colocou as mãos no bolso do casaco cinza, sabendo que tinha toda a razão, e eu odiava isso.
Por um momento, fiquei tentada em aceitar. Ele fez tudo parecer tão fácil.
Espera, tinha alguma coisa errada nisso. Porque o Jonas me ajudaria?
“Posso saber o que você quer em troca?”-Questionei, analisando-o.
Ele sorriu, mostrando todos os dentes. Tão pretensioso.
“Simples, você só tem que deixar minha mãe e meus irmãos em paz. Não interferir no relacionamento de nossos pais.”
“NÃO!”-Gritei de imediato. “Isso nunca vai acontecer, nunca!”-Só a idéia de Denise conseguir o que quer, casar com meu Billy me deixava irada.
“Que tal uma amostra grátis do que você poderá aprender comigo? Talvez isso te ajude a decidir o que é mais importante. Seu sentimento por Liam ou sua implicância boba com minha mãe.”
Que tipo de amostra?”-Perguntei ardendo de curiosidade.
“Tipo... deixa eu pensar... beijo! Isso! Você beija bem?”
HEIN?
“Não é da sua conta!”-Respondi, tentando não demonstrar o meu desconforto com aquele assunto.
Nicholas me olhou estranho por alguns segundos.
“Espera! Oh, meu Deus, você já beijou na vida, né?”-Perguntou sarcástico.
Paralisei. O que eu deveria responder? Beijar o pôster do Brad Pitt conta como beijo? Por fim, decidi responder.
“Sim!”-Menti na cara de pau.
O imbecil gargalhou.
“Sei... vou fingir que acredito!”
“Eu vou embora!”-Ameacei.
Miley, o beijo é uma das coisas mais importantes para se conquistar alguém. Se a garota beija mal, ou simplesmente não sabe beijar, dificilmente damos uma segunda chance. O primeiro beijo é decisivo...”-Eu ainda estava tentando absorver aquela informação, eu não fazia idéia de que beijar era assim tão importante. “Tudo antes, durante e depois, influencia para um bom beijo. Não é só duas bocas se encontrando. É todo o clima, a respiração, o modo de mover a boca e quando mover, como usar os dentes, até os menores detalhes se tornam importantes.”
Por incrível que pareça, eu estava fascinada por aquela explicação, era como se ele estivesse me falando de uma fórmula matemática dificílima.
“Bem, acho que se eu te mostrar você vai entender melhor.”
Do que ele está falando?
Só quando vi Nicholas se aproximar de mim, entendi. Dei um pulo para trás, assustada.
“O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO?”-Esbravejei atônita.
Nicholas revirou os olhos.
“Como você é criança! Também não vai ser divertido para mim. Considere um beijo técnico.”-Disse ele, demonstrando pouca paciência.
“Eu não sou criança!”-Afirmei ofendida.
“Está agindo como tal!”
Parei por um segundo. Ai, meu Pai do céu. Eu estava mesmo inclinada a beijar o nojento do Nicholas? Mas eu queria beijar Liam, só não queria beijar mal, e se o Jonas estivesse certo?
Miley, eu não tenho o dia todo!”-Falou o babaca, me pressionando.
“Ok!”
EU DISSE ISSO MESMO?
“Mas, olha, se você contar isso para alguém, eu...”
“Cala a boca, Miley, vamos terminar logo com isso. Prometo que não vai doer.”-Ele riu. Eu fiquei calada, o que mais eu podia dizer? “Preste bem atenção em tudo que eu fizer, todos os detalhes são importantes.”
Nicholas aproximou-se de mim lentamente. Eu engoli seco. QUE MERDA EU ESTAVA FAZENDO?
Ele ficou a poucos centímetros de mim, eu podia sentir sua respiração uniforme. O rosto de Nicholas nunca ficou tão próximo ao meu, era uma sensação estranha. Com seu braço esquerdo, ele enlaçou delicadamente minha cintura e meus olhos fixaram-se em seus lábios entreabertos. Ele suspirou levemente e seu hálito de menta invadiu minhas narinas e boca, que à essa altura, se abriu inesperadamente. Com a ponta dos dedos, ele acariciou minhas costas e um súbito arrepio percorreu meu corpo. Nicholas aproximou ainda mais seu rosto do meu, seus lábios roçaram nos meus, em um toque sutil despertando sensações em mim que jamais sentira. Sua mão direita percorreu vagarosamente meu braço até chegar a minha nuca, e seus dedos entrelaçaram-se em meus cabelos me fazendo estremecer. Pude sentir a ponta da língua dele em meu lábio inferior. Em seguida, ele sugou levemente meu lábio, meus olhos fecharam-se, quando me entreguei a aquela sensação. Meu coração começou a palpitar em um ritmo fora do normal. Nicholas gemeu baixinho contra a minha boca. Então, finalmente me beijou. A língua dele invadiu a minha boca que, despreparada e desajeita, a sugou. Instintivamente, meus braços enlaçaram seu pescoço e ficamos tão colados, que eu podia sentir o calor que ele exalava. O beijo que tinha iniciado suave e gentil, se tornou intenso quando ele começou a sugar minha língua com urgência e morder levemente meus lábios. Ele me segurava com firmeza e segurança, como se eu fosse sua propriedade. Tudo ficou meio confuso naquele momento, eu sabia que deveria prestar atenção em cada movimento, mas eu não consegui pensar em nada. Estava entorpecida pelo calor, sabor, textura e cheiro.À essa altura, meu coração ameaçava explodir, e meu corpo incendiar. Aos poucos, o beijo voltou a ser gentil e Nicholas mordiscou meu lábio inferior pela última vez. Quando ele afastou lentamente o rosto, ambos estávamos ofegantes, minhas pernas cederam e eu só não fui ao chão porque ele me segurou.
Eu estava tão envergonhada, que não tive a coragem de encará-lo. Mas ouvi uma risadinha vindo dele.
“Eu vou deixar você pensando um pouco sobre a minha proposta, volto em 1 hora. É bom você levar em consideração, o fato de que eu não vou fazê-la uma segunda vez. É pegar ou largar. Ou você aceita e fica com o Liam, ou passará o resto dos seus dias se perguntando o que teria acontecido se você tivesse tido a coragem para fazer a coisa certa.”
Senti o Jonas se afastar, não o olhei. Ao invés disso, fiquei olhando para o céu, esperando minha respiração voltar ao normal.
Refleti sobre os prós e os contras por longos e intermináveis minutos. Eu não podia, simplesmente, abandonar meu plano de afastar Denise da vida de Billy. Não podia deixar que eles se casassem, seria uma estrada sem fim para um mundo do qual eu não pertencia, e nem queria viver. Pensei na minha mãe, pensei nos dias desastrosos que passei ao lado dos Jonas, pensei em quanto eu queria que a minha vida voltasse ao normal, quando éramos somente eu, Billy e Taylor. Eu queria Liam, isso era fato, se o beijo com o Nicholas foi uma sensação surreal, imagina como seria com Liam? Eu não queria mudar, mas eu sabia que precisava. Eu não queria fazer joguinhos com Liam, mas sabia que necessitava lutar por ele. Minha cabeça parecia que ia explodir, eu não queria escolher, não queria decidir. Apenas queria Liam, mas o preço pára tê-lo era alto demais. Olhei para o relógio e constatei que logo, Nicholas retornaria. Eu precisava de ajuda. Eu precisava de um sinal. Olhei para o céu, agora, estrelado pela noite que chegara e eu nem sequer notei.
“Por favor, Deus, me ajuda, me dá um sinal.”-Suspirei.
De repente, meu celular vibrou no bolso da calça. Peguei o aparelho e havia uma mensagem.
[Mensagem-18:30 h]

Liam: Desculpe por não ter ido ao encontro. Tive contra- tempos. Abraço.

Era isso. Só podia ser o sinal que eu esperava. Não ia pensar mais, estava decidida. Eu o queria, e ele seria meu, não importava o preço.
Poucos minutos depois, avistei Nicholas vindo em minha direção. Fui ao seu encontro.
“Decidiu?”-Perguntou ele, parecendo apreensivo.
“Eu topo!”-Falei de uma vez, evitando pensar.
“Teremos uma trégua em nossa pequena guerra?”
“Que seja!”-Respondi, já pronta para enfrentar o que estava por vir.
“Acordo fechado!”-Falou ele, sorrindo e me estendendo a mão.
Apertei a mão de meu inimigo, agora, meu cúmplice, fechando um acordo que eu não fazia idéia de quais seriam as conseqüências.
“É, Cyrus, agora eu vou ser seu professor, e... Joe vai ser meu assistente!”
Arregalei os olhos.
“AH, NÃO!”-Reclamei.
Nicholas gargalhou.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

10˚ POSTAGEM


Capítulo 11: Racha e Bolo Maneiro
Miley Narrando

Joe, Emily e eu, ignoramos os protestos de Nicholas e o acompanhamos, loucos para assistir o racha. Eu fui na minha Ducati com Emily, e Nicholas foi na sua Suzuki com Joe.
Demorou um pouco até chegarmos a uma estrada já quase fora de Verona. Ao longe, avistamos faróis de carros e muitas motos. O lugar estava repleto de motoqueiros mal encarados, orientais com suas máquinas top de linha, ingleses e muitas garotas vestindo pouquíssima roupa. Desavergonhadas!
Alguns caras faziam acrobacias com suas motos em pura exibição.
Eu estava empolgada, nunca havia ido a um racha antes, mas temia intensamente que Nicholas não conseguisse o dinheiro para comprar minha guitarra de volta. Logo estacionamos as motos.
“Vamos, preciso falar com o banqueiro!”-Apontou Nicholas para um grupo de homens a uns 10 metros de nós.
Quando dei os primeiros passos, Emily agarrou-se ao meu braço, estava com uma expressão chocada. Penso eu, que ela não imaginava que um racha de motos fosse ser algo tão “barra pesada”.
“Não toque em nada, você pode pegar uma doença.”-Falou ela com a maior cara de medo.
“Você anda conversando demais com o maníaco por limpeza!”-Afirmei, balançando a cabeça.
Ainda faltavam alguns metros para chegarmos ao nosso destino. Então, Nicholas gritou: 
“Ei, Liam, seu sacana!”

Um dos homens virou-se e eu o pude ver. Na verdade, eu o vislumbrei. Alto, corpo atlético, cabelo louro, lábios rosados, olhos estreitos e incrivelmente claros. Se Emily não estivesse me segurando pelo braço, eu provavelmente teria ido ao chão, pois minhas pernas fraquejaram como nunca antes.
Eu estava desnorteada, não sabia o que estava acontecendo comigo, meu estômago embrulhou e eu esqueci como se respirava. Tem que se puxar o ar e soltar, certo? Então, porque não consigo? Eu estava andando, ou alguém estava me arrastando? Eu não sei, só sei que o rosto daquele homem estava ficando cada vez mais próximo e meu coração ameaçava explodir!
MEU DEUS, O QUE ESTÁ ACONTECENDO COMIGO?
Alguém falou algo. Que se dane eu não me importo.
Quando fiquei a apenas meio metro de distância daquele homem, vestido de preto, tive uma súbita vontade de gritar de felicidade, mas eu não grito de felicidade, não que me lembre.
As vozes que eu ouvia não passavam de um leve murmúrio, um som tão distante que nem me incomodava. Minha audição podia estar falhando, mas minha visão nunca esteve tão perfeita.
Eu estava começando a me desesperar por não conseguir respirar. O homem de olhos claros abriu um largo sorriso e eu suspirei tão alto, que senti alguém me cutucar as costas. Emily, deduzi. Só aí, minha lucidez voltou, em parte.
“Liam, acho que se lembra do meu irmão Joe, e essas são Emily e Miley. Meninas, esse é Liam Hemsworth.”-Falou Nicholas, sorrindo.
LIAM HEMSWORTH? É ESSE O NOME DA CRIATURA MAIS PERFEITA DA FACE DA TERRA? EU JÁ ADORO ESSE NOME, QUERO REPETIR MIL VEZES... LIAM, LIAM, LIAM, LIAM...
“Prazer!”-Falou ele, sorrindo e estendendo a mão para Emily, que o cumprimentou cordialmente. Em seguida, estendeu a mão para mim.
DROGA! Não consigo me mexer, alguém pelo amor de Deus, erga meu braço! Eu quero apertar essa mão!
Como ninguém leu meu pensamento, Liam retirou sua mão, confuso. PUTA MERDA!
“Não ligue, ela fez o mesmo comigo.”-Disse o imbecil do Nicholas.
“Nick, é muito bom te ver, cara, você é meu único irmão.”-Liam disse, colocando uma mão no ombro do NICKZINHO.
“Isso é porque eu sou o único que consegue te aturar.”-Respondeu o Jonas, rindo.
“O que você tem?”-Sussurrou Emily no meu ouvido.
Quando percebi o que falei, meus olhos fecharam-se imediatamente.
EU QUERO MORRER!!!
“Ela é uma daquelas pessoas com deficiência mental? Você sabe,... é... excepcional?”-Perguntou ele para Nicholas, com seriedade.
Meu pedido foi atendido, MORRI!!

Nicholas Narrando

Gargalhei, pois fiquei feliz por não ser o único a achar que Miley tinha sérios problemas mentais.
Eu não sei o que estava acontecendo com a Cyrus, ela estava estranha demais. Nem se ela estivesse morta, poderia estar tão silenciosa.
“Oi, Nicholas, tudo bem?”-Perguntou Sam, aproximando-se.
“Tudo, Sam!”
“Liam, está quase na hora, vou encerrar as inscrições!”-Disse Sam.
“Então, vai correr, Nicholas?”
“Sim!”
“1.500 a inscrição.”-Falou Liam, cruzando os braços.
Retirei do bolso parte do dinheiro que estava guardando para pagar o próximo semestre da faculdade e o entreguei a Liam, que não contou, apenas repassou para Sam.
“Não vai correr hoje, Liam?”-Perguntou Joe.
“Para sorte do Nicholas, não. Estou me guardando para um racha em Barcelona. É, Jonas, você terá uma chance hoje.”-Zombou Liam.
“Eu acho que você está é com medo de correr comigo!”-Respondi a provocação divertindo-me. Liam gargalhou sarcástico.
“Muito bem! Hora de queimar pneu no asfalto!-Disse ele, dando um tapa nas minhas costas.
Olhei para Miley, que continuava petrificada. Estranhei, pensei que nesse momento ela ia começar a tagarelar, me ameaçando de morte, caso eu não ganhasse o racha, mas, lá ficou ela, como uma perfeita estátua. Emily parecia tão confusa quanto eu. Joe, bem... o que posso dizer? Já estava paquerando alguém, sempre pensando mais com a cabeça de baixo.
Comecei a caminhar em direção a minha moto, então...
“Ei, Nicholas, você sabe minhas regras! Sem capacete, cara!”-A voz atrás de mim vinha de Liam. Virei-me e lhe joguei meu capacete.
“Tudo bem, põe o meu dinheiro aí dentro, eu não vou demorar!”-Respondi.
Enfileirei minha suzuki na linha de partida junto com mais 4 pilotos, dois orientais gêmeos, um homem branco de barba comprida que me olhou com desdém, e um nativo americano, um dos homens de Liam, deduzi.
O fato de não conhecer meus adversários me deixou um pouco nervoso, seria mais fácil correr conhecendo o tipo de estratégia que eles usam. Fechei o zíper da jaqueta de couro, sabendo que, no final das contas, não importava quem eram meus adversários, eu só tinha que dar o melhor de mim.
Os gritos de incentivo dos expectadores à minha volta e o ronco dos motores despertaram minha adrenalina adormecida. Ela passou pelo meu corpo, me fazendo contrair os músculos, e logo um sorriso surgiu em meus lábios. Eu soube, estava pronto.
Recolhi o descanso, girei a chave na ignição e coloquei na primeira marcha. Dei a partida elétrica e a Suzuki Hayabusa respondeu. Torci o acelerador com força, o motor roncou alto e forte.
Liam se posicionou à nossa frente, segurando uma pistola prateada. Ele a ergueu acima da cabeça e me lançou um olhar divertido. Todos se calaram, só podíamos ouvir o barulho estridente dos motores. Engoli seco. Então, meu amigo apertou o gatilho da arma e o estampido do tiro deu início ao racha.
Acelerei, e quando falo em acelerar, me refiro a fazer de 0 a 100 km/h em 2,8 segundos. Os dois orientais estavam à minha frente em suas Yamaha YZF.
Minha velocidade estava aumentando gradativamente. O sujeito barbudo estava em meu encalço. Vi o nativo americano, pelo espelho retrovisor, ultrapassá-lo. Eu já estava a 240 km/h e não diminuí a velocidade como os demais, ao fazer uma curva traiçoeira. Isso fez minha moto inclinar para a direita, quase fazendo meu joelho tocar o asfalto.
Ganhei uma posição com isso. Agora eu estava entre os dois orientais, que provocaram, aumentando a velocidade. Eu aceitei o desafio. À frente, havia uma encruzilhada e cones indicando o retorno. Diminuí a velocidade e coloquei um pé no chão, a fim de dar apoio suficiente para uma guinada. Um dos orientais não diminuiu o suficiente e sua moto derrapou, fazendo-o ir ao chão.
Agora, éramos 4. Eu estava atrás apenas do nativo americano, que cresceu durante a corrida, mostrando que estava guardando seus truques para o final. Vi pelo retrovisor que o homem barbudo e o gêmeo oriental que restou brigavam por uma posição. Minha única preocupação agora, era o cara à minha frente. A distância que restava até a linha de chegada era uma estrada reta, ideal para usar toda a potência da Suzuki. Eu estava apenas esperando por isso, pelo momento de me deixar levar pela velocidade.
Acelerei e logo atingi os 300 km/h. Como é andar de moto a 300 km/h? É mais ou menos como ser sugado por um gigantesco aspirador de pó. A visão periférica fica tão apertada quanto num canudo, a respiração quase pára, o som do vento fica tão alto que o ronco do motor vai sumindo e é preciso controlar as rotações pelo conta-giros. O medo deixa de ser uma sensação imaginária e torna-se bem real e presente. Não dá para evitar pensamentos como "e se quebrar esta roda?" Para evitar esse tipo de temor, me concentro no adversário e na maravilhosa sensação de liberdade.
O nativo americano ficou para atrás, a adrenalina queimava pelo meu corpo quando ultrapassei a linha de chegada. Soltei o guidon e abri os braços, deixando o vento passar por mim. A sensação de euforia da vitória é indescritível!
arei a moto em frente a Liam, em provocação. Ele era muito competitivo, na certa já estava planejando uma corrida entre nós dois. Quando desci da Suzuki, senti alguém me abraçar forte por trás. Virei-me, confuso, só para constatar que se tratava deMiley. Eu a encarei com uma expressão do tipo “o que você está fazendo?”. Ela recuou, carrancuda e constrangida.Não foi minha intenção constrangê-la, não dessa vez.
“Minha guitarra!”-Afirmou ela. Aí eu percebi que ela me abraçou em um ímpeto, não porque eu havia ganhado, e sim, porque recuperaria sua guitarra.
Logo, Joe e Emily me abraçaram, parabenizando-me animados e isso dissipou meus pensamentos, quanto à atitude de Miley.

Miley Narrando

Uma porção de gente voou pra cima do Jonas, nem sei de onde saíram aquelas pessoas. Praticamente, fui jogada para longe. Quanta babaquice! O idiota nem ganhou um milhão.
Cerca de 15 minutos depois, quando a multidão se dispersou, Liam pagou Nicholas, que enfiou o dinheiro dentro de uma mochila que Joe trouxe. Em seguida, a colocou nas costas.
“Vamos tomar umas bebidas em um bar cubano aqui próximo. Lá toca uma banda legal.”-Sugeriu Liam.
Eu fiquei logo empolgada, não estava preparada para me despedir dele. Os outros assentiram de imediato. Precisávamos mesmo de umas bebidas.
Quando chegamos lá, achei que Emily fosse ter um ataque ou começaria a chorar. Era um lugar bem louco. Reggaeton tocava alto, muitos rastafáris e latinos se esfregando na pista de dança. Eu não me importava em que lugar estava, contanto que Liam estivesse lá.
Ele parecia conhecido por lá e nos arranjou logo uma mesa. Nos sentamos. Eu ainda estava embasbacada com o homem de porte atlético. Ele também sentou-se, colocou um pé em cima de uma cadeira próxima e acendeu um cigarro. Tossi ao sentir a fumaça adentrando minhas narinas. Alguém acha que eu me importei?
Uma garçonete com tranças rastafári trouxe-nos cervejas e um garrafa de tequila.
Muito bem, Miley, essa é a sua chance de tirar a má impressão que você deixou. Precisa concertar as coisas. Fale algo que o faça pensar que você não tem problemas mentais.
“Liam, onde você mora?”
Ele deu outro trago no cigarro e, com sua voz grossa, falou:
“Em lugar nenhum e em todos os lugares, mas estou passando uns dias aqui na Itália.”
Beleza! Essa foi boa, Miley! Continue.
Eu estava abrindo a boca para falar quando...
“Liam, seu pai está morando na Florida, por que não vai passar uns tempos por lá?”-O maldito Jonas me interrompeu, filho da mãe.
Liam pareceu incomodado com as palavras do Nicholas, virou uma dose de tequila e sorriu.
“Não vamos falar sobre isso esta noite, certo? Vamos comemorar!”
É ISSO AÍ, SEU BABACA! Tive vontade de gritar para Nicholas.
Vamos, mude de assunto, ele ainda não parece convencido da sua sanidade. Estava me preparando para falar novamente, quando Emily me puxou pelo braço, levantando-se.
“O que foi?”-Perguntei intrigada.
“Vamos ao banheiro!”
“Vai sozinha!”-Ordenei e ela bufou.
“Preciso da sua ajuda.”-Me olhou como se fosse me fulminar.
Revirei os olhos.
Quando chegamos ao banheiro imundo, Emily começou a tagarelar.
“O que está havendo como você, afinal?”
“Nada!”
“Nada? Você não pára de olhar para o bad boy, tem horas que sua baba quase escorre. Você está caidinha por ele, caidinha pelo Liam!”-Disse ela rindo.
“Não mesmo! Não é nada disso... eu... eu...”
Isso despertou ainda mais risadas em minha prima.
Emily estava certa, pela primeira vez na vida, eu estava interessada em um homem. Foi tudo muito rápido, o que posso dizer? Se existe cupido, ele me atropelou com um caminhão.
Uma verdade se tornou inquestionável.
EU ESTAVA APAIXONADA POR LIAM!
ISSO É AMOR À PRIMEIRA VISTA?
Suspirei tentando digerir aquele informação.
“Tudo bem, Miley, é assim mesmo, é meio que um choque descobrir que gosta de alguém.”-Emily falou, enquanto colocava uma mão em volta do meu ombro. “Fica calminha, vamos voltar para a mesa, você relaxa, lança uns olhares sexy para o bad boy, e deixa o clima rolar.”
Emily fez parecer tão fácil.
Liam e Nicholas bebiam animados na mesa, eu não fazia idéia de onde estava Joe. Quando nos aproximamos, Nicholas sorriu torto e eu nem entendi porque.
Emily, ao meu lado, me fez um sinal do tipo “puxa conversa”.
Era uma boa idéia, fala alguma coisa legal, Miley! Ordenei à mim mesma.
“Porque o elefante não pega fogo? Porque ele já é cinza.”
Liam ergueu uma sobrancelha.
PUTA QUE PARIU!!! EU CONTEI UMA PIADA?!
E ainda por cima sem graça, pois ninguém riu. Emily fez uma careta e eu soube que não deveria falar mais nada.
“Olha só, galera, eu ganhei dois bolos de chocolate de uma rastafári legal, alguém quer?”-Perguntou Joe, que apareceu atrás de mim com a boca suja de bolo.
Era um bom momento para manter a boca ocupada. Peguei imediatamente o bolo e comecei a comer. Emily também comeu um pouco.
As batidas do reggaeton estavam me envolvendo de um jeito estranho, eu estava me sentido tão leve.
"MEIA HORA DEPOIS"Nicholas Narrando

“AAAAAAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA”
Nunca vi Miley rir tão alto, o pior é que Joe e Emily também gargalhavam como se estivessem vendo a coisa mais engraçada do mundo. Não havíamos bebido muito, Liam e eu estávamos sóbrios.
“Eu preciso contar outra piada, escuta essa. O que o tomate foi fazer no banco? Foi tirar extrato! Entenderam? Extrato?”-Mileygargalhava tão alto, que seu corpo inteiro tremia e seus olhos lacrimejavam.
“Eu não entendi, mas achei super engraçado.”-Falou a anta do Joe, rindo que nem um porco.
Emily já estava quase caindo da cadeira de tanto rir. Eu não achei a menor graça, será que o problema era comigo?
“Cara! Essa sua família é muito estranha!”-Disse Liam, encarando sério os três.
“Eu não sei o que está acontecendo com eles. Nunca os vi assim.”-Falei, bebendo uma gole de cerveja.
“Como não sabe? Eles aqui só servem bolo espacial, aquilo tem haxixe e maconha dentro. E eles comeram com vontade.”-Disse Liam, divertindo-se.
O QUE?
Agora fazia todo sentido, os três estavam doidões, e eu sabia que eu estava fodido.
“VAMOS DANÇAR!”-Gritou Emily.
“VAMOS BOTAR PRA QUEBRAR!”-Joe berrou em resposta.
“É, EU QUERO DANÇAR!!!”-Quem gritou isso, derrubando um copo no chão, foi Miley. Eu fiquei chocado.
Eu não sabia o que fazer, os três estavam doidões demais.
Fiquei observando eles irem para o meio da pista de dança, empurrando todos à volta para terem mais espaço, então começou a tocar...
“Dale a tu cuerpo alegria Macarena
Que tu cuerpo es pa' darle alegria y cosa buena
Dale a tu cuerpo alegria, Macarena.Hey Macarena.”

Eu achei que ia explodir de rir. Eu podia esperar aquele tipo de atitude de Joe e até de Emily, mas nunca de Miley. Eles dançavam fazendo a típica coreografia da Macarena. Miley Cyrus chacolhava-se como se estivesse tento um ataque de epilepsia, definitivamente ela não sabia dançar. Eu não podia perder mais tempo,t irei o celular do bolso e comecei a gravar, podia ser minha única chance na vida.

“Dale a tu cuerpo alegria Macarena
Que tu cuerpo es pa' darle alegria y cosa buena
Dale a tu cuerpo alegria, Macarena.Hey Macarena.”

“QUE BOLO MANEIRO!”-Berrou Emily.
Pela minha visão periférica, pude ver Liam gargalhando. Pela expressão dos três eu podia jurar que eles achavam que estavam abafando na coreografia. Quando se cansaram, saíram em trenzinho pela pista de dança. Os latinos animaram-se e entraram na brincadeira do trenzinho que começou com três e terminou com umas 50 pessoas. Eu tinha certeza que jamais esqueceria aquela noite.
Eu ri tanto que precisei ir ao banheiro tirar “água do joelho”. Do contrário, era capaz de me molhar todo, só por ver Miley dançando macarena doidona.
Quando voltei, percebi que Liam não estava na mesa. Olhei em minha volta e o vi perto do bar, mas o que vi a seguir, me chocou.
“Está música é para o Liam!”-Gritou Miley.
Ela estava dançando em cima do balcão do bar e cantando num karaokê ..
“At first, I was afraid, I was petrified (No início eu tive medo, fiquei paralisada)”
Que merda é essa que ela tá fazendo... cantando “I will survive”?!
“Kept thinkin' I could never live without you by my side...(Continuava pensando que nunca conseguiria vive sem você ao meu lado...)”

Tinha um monte de gente à volta dela. Liam parecia tentar convencê-la a descer. Rapidamente fui ao encontro deles. Precisei empurrar algumas pessoas para conseguir me aproximar do bar.

“But then I spent so many nights(Mas então eu passei muitas noites)
Thinkin' how you did me wrong.(Pensando como você me fez mal,)
And I grew strong...(E eu me fortaleci..)”

“Tudo bem, Liam, deixa que eu cuido disso!”-Falei, colocando uma mão no ombro dele, que se afastou, relutante. “Vamos, desce daí,Miley, acabou o show!”-Gritei alto suficiente para ela me ouvir, em meio ao som alto. Ela me ignorou.
“Agora, Miley, não estou brincando!”
“Me deixa em paz, NICKGAYZINHO! Vem, Liam! Vamos dançar! YUHÚÚÚ!!”-Respondeu ela, rindo.
ELA TINHA QUE FALAR “NICKGAYZINHO” NO MICROFONE?
Bufei. Eu não ia ter muita paciência, ia tirar ela dali à força.
“Vem, Miley, é melhor você ouvir seu irmão.”-Falou Liam, estendendo uma mão para ela, que, imediatamente, pegou, descendo do balcão.
Pisquei os olhos, tentando entender aquilo, ela só podia estar querendo me irritar.
Liam arrastou Miley de volta para a mesa, olhei à minha volta e, nem sinal de Joe e Emily. Onde aqueles dois se meteram?
Ao me aproximar da mesa, vi Miley sentada, rindo descontroladamente e pegando nos cabelos de Liam.
“Cara, sua irmã excepcional está muito doida, ela falou alguma coisa como ter sido atropelada por um caminhão.”
“Ela já não batia bem da cabeça antes.”-Falei, puxando Miley para junto de mim, que protestou com uma careta.
“Me solta, seu babaca, não está vendo que estou ocupada?”-Respondeu, parecendo zonza.
“Nós vamos embora agora, você não está legal. Fica aqui que vou procurar Joe e Emily.”-Falei, deixando-a, contra minha vontade, com Liam.
Eu precisava achar meu irmão burro e a anã da Emily, eles estavam ligadões, podiam aprontar qualquer coisa.
Andei pelo bar e nem sinal deles. Me aproximei de um corredor escuro, que levava ao banheiro feminino e os avistei.
Precisei me aproximar para ter certeza do que os meus olhos viam. Ainda assim, mal consegui acreditar.
“Joe? Emily? O que vocês estão fazendo?”

segunda-feira, 2 de maio de 2011

9˚ postagem!


Capítulo 10: Você é uma Péssima Escrava
Miley Narrando

“Vocês dois, hein? No esfrega-esfrega na maior promiscuidade!”-Apontou Joe, enquanto os outros levantavam, ainda rindo.
“Do que você está falando?”-Perguntei, sentada no chão.
“Joe! Não seja inconveniente!”-Emily sorriu, piscando um olho para mim.
“Espera, vocês não acham mesmo que eu e Miley estávamos transando, acham?”-Perguntou Nicholas, me puxando do chão pelo braço, fitando o irmão mais velho, que mantinha um sorriso de safado.
“Tudo bem, Nicholas, não é da nossa conta, cara.”-Kevin, o suposto maconheiro, mantinha uma mão na boca, escondendo o sorriso idiota.
“É verdade, eu não transei com ela!”-Nicholas cruzou os braços.
“Cara, você falou a mesma coisa quando pegou a professora Gonzales, aquela corôa feiosa.”-Acusou Joe, divertindo-se.
Nicholas chacoalhou a cabeça e lançou um olhar incrédulo para o irmão mais velho.
“Joe, esse foi você!”
O retardado colocou uma mão no queixo, em reflexão. Então, respondeu:
“Ah, é verdade!”
Eu não sabia o que era pior, ser acusada de fazer sexo com Nicholas, ou ouvir as duas antas dialogando. Tratei logo de me defender, pois Emily me olhava como se fosse me obrigar a contar todos os detalhes de algo que nem aconteceu.
“Eca! Eu nunca aceitaria fazer isso com ele!”-Resmunguei, chocada com os pensamentos asquerosos vindo das mentes daqueles três.
Nicholas virou a cabeça para me encarar, carrancudo e com olhar cheio de dúvidas.
“Porque fala como se eu fosse querer dormir com você?”
“Vamos embora, vai começar o lance masoquista mais um vez.”-Disse Emily, empurrando os dois Jonas para fora do quarto e fechando a porta.
Eu não sei o que houve comigo, simplesmente não consegui responder à pergunta de Nicholas, até porque eu nem sei como proferi aquelas malditas palavras.
Nossa atenção voltou-se para Joe, que enfiou a cabeça na frecha da porta, rindo com aquela cara de tapadão serial killer.
“Depois eu quero saber os detalhes, Nick!”
NICKZINHO empurrou a porta com força, fechando-a na cara do bizonhento.
Ambos bufamos no mesmo instante, o que foi bem estranho.
“Tudo bem, chega de enrolação, pequena escrava, vamos ao trabalho duro?”
“Ei, não vou massagear mais nenhuma parte do seu corpo!”-Falei dando um passo para trás, o que fez Nicholas abrir um largo sorriso.
“Não se preocupe, o servicinho dessa vez não vai ser tão prazeroso pra você, lógico. É simples, eu quero que você limpe o meu quarto e o de Joe, menos o de Kevin, pois se você tocar nas coisas dele, vai fazê-lo esterilizar pela quinta vez essa semana. Depois, vai lavar a minha moto e, por fim, cozinhar para todos. Acho que isso vai te ensinar humildade, coisa que Billy deveria ter feito você aprender a qualquer custo.”
“VOCÊ SÓ PODE ESTAR BRINCANDO!”-Gritei, erguendo uma sobrancelha.
Nicholas não estava brincando, e eu estava totalmente ferrada. A primeira coisa que fiz foi pegar meu Ipod com músicas da Avril Lavigne e Blink 182, e pôr no último volume. Em seguida, peguei umas cervejas na geladeira. Fazer aquilo sóbria seria a morte, então resolvi encher a cara para facilitar.
Comecei lavando a moto. Na verdade, eu apenas peguei uma mangueira no jardim. Joguei um jato forte de água na Suzuki, cujo descanso deveria estar mal apoiado, pois imediatamente desabou, fazendo um barulhão. Corri para levantar a pesada moto, coloquei-a bem apoiada dessa vez, alisei a pobre coitada que não tinha culpa nenhuma de ter um dono babaca e, então, vi o resultado da queda. Um enorme arranhão na lateral. Quando o idiota do Nicholas visse aquilo, ia ter um ataque. Tomei um gole grande da heineken e continuei lavando a moto, apenas com a mangueira. Eu que não iria ficar esfregando!
Quando literalmente “acabei” com a moto, fui para o quarto de Joe. Precisei tomar outra cerveja para criar coragem de ficar apanhando as roupas do chão, com um pegador de macarrão. Joguei todas em um grande saco plástico. Sinceramente, nem a melhor máquina de lavar roupas do mundo, daria jeito naquilo. Então, fui prática e joguei tudo no lixo.
Passei o aspirador no quarto imundo e, quanto fui passar embaixo da cama, encontrei resto de comida e muitas revistas pornográficas. Porque será que não fiquei surpresa? Coloquei luvas grossas de limpeza e, só assim, consegui trocar a roupa de cama. O banheiro dele, eu ia deixar por último, quando estivesse bem bêbada, a beira de um coma alcoólico.
No momento em que cheguei no quarto de Nicholas, no Ipod já tocava Rock show do Blink 182. Bufei e chutei um tênis que estava largado no chão. Fui direto para a tortura do banheiro e, lá, abri as torneiras da banheira no máximo. Nunca havia feito limpeza antes, não sabia o que colocar dentro da água. Então, coloquei todo o material de limpeza que eu carregava. Não tive muita paciência ao fazer isso, rasguei a caixa de sabão em pó e joguei tudo dentro da banheira. Derramei todos os produtos o mais rápido que pude e decidi que deixaria a banheira enchendo enquanto adiantaria o almoço.
A cozinheira italiana saiu da cozinha furiosa, falando palavras em italiano como “stupiditê”, coisa que eu nunca ouvi antes, quando eu disse que iria cozinhar. Espero que ela volte, ou Billy é bem capaz de me obrigar a cozinhar todo dia. 
Abri a geladeira sem ter noção do que eu cozinharia, não podia ser tão difícil. Afinal, até a mosca morta da Denise conseguia.
Peguei um grande pedaço de carne que estava no refrigerador, joguei dentro de uma forma de vidro, esfreguei uma porção de manteiga com as mãos e catchup (eu adoro catchup), enfeitei com cebolas interas, beterraba, pepino, tomates e laranjas. Nesse momento, eu tive certeza que ia ficar uma delícia. Enfiei dentro do forno no último grau, sentei-me na mesa e abri outra cerveja. Eu já estava cansada, mas tinha uma estranha impressão de que havia esquecido alguma coisa.
Eu estava feliz, feliz demais por conta da cerveja, quando começou a tocar no Ipod underclass hero do Sum 41. Sobressaltei quando senti alguém puxando os fones de ouvido.
“Miley, o que foi aquilo na minha moto?”-Perguntou Nicholas furioso.
A FICHA CAIU.
“O BANHEIRO!”-Gritei, ao sair correndo em direção ao andar superior.
Percebi que Nicholas corria atrás de mim. Adentrei o quarto, feito uma bala. Ao entrar no banheiro, escorreguei no chão molhado, mergulhando na espuma. A dor que senti quando minha cabeça bateu no chão foi indescritível.
Ouvi um estrondo ao meu lado. Nicholas, que também entrou correndo, havia acabado de cair.
“DROGA! QUANTAS VEZES EU AINDA VOU CAIR?!”
Mesmo eu ainda sentindo dor, ri. Naquele momento, eu riria de qualquer coisa. Que heineken boa!!
O banheiro estava cheio de espuma, não conseguia ver nada além das densas brumas produzidas pelo sabão e produtos de limpeza. 
Engatinhei tentando achar a banheira, para fechar as torneiras. Conseguia ouvir o barulho da água, mas estava meio zonza, não sei se pela cerveja ou se pela pancada na cabeça.
“SACANAGEM! Que merda é essa no meu banheiro, Cyrus?”-Perguntou o Jonas, zangado. “Você só pode estar fazendo de propósito! VOCÊ É UMA PÉSSIMA ESCRAVA!
Gargalhei.
“Eu juro que não foi de propósito, deve ser um tipo de justiça divina pelo que você está fazendo comigo.”-Provoquei.
“Fecha as torneiras, vai inundar a casa inteira!”-Ordenou o paspalho.
“Estou tentando, droga, não está vendo?”
“Só vejo espuma!”
“Aíii...”-Gemi, sentindo minha cabeça latejar.
“O que foi?”
“Minha cabeça.”-Falei, sentando-me no chão com as mãos atrás da cabeça.
Não sei como, mas o Jonas me achou, em meio a toda aquela espuma.
“Onde dói?”
“Atrás da cabeça.”-Respondi em reflexo.
Nicholas passou os dedos pelos meus cabelos, massageando levemente o couro cabeludo. Senti um súbito arrepio, que fiz questão de ignorar.
“O que está fazendo?”-Perguntei, já não conseguindo conter a curiosidade.
“Procurando um ferimento, mas parece que você não tem nem mesmo um galo. Eu sempre soube que você é cabeça dura.”-Respondeu divertido, mas dessa vez não senti seu típico humor zombeteiro.
“Eu estou bem, só meio zonza pela queda.”-Afirmei respirando fundo.
“Ou pela cerveja.”-Completou Nicholas, ainda com os dedos envolvidos nos meus cabelos.
Me perguntei se era tão visível assim que eu havia bebido muitas cervejas, mas não importava. Afinal, eu não estava bêbada. Eu sei, todo bêbado diz isso.
Por algum motivo, o Jonas continuava a massagear minha cabeça, e isso estava me fazendo relaxar de um jeito que nem imaginei ser possível. Era simplesmente prazeroso.
“Hum...”-Eu juro que não sei de onde veio esse gemido, fiquei corada imediatamente. Nicholas parou e me fitou cerrando os lábios, mas seu corpo inteiro tremia em uma risada silenciosa. 
“O que foi isso?”-Perguntou, obviamente tentando se manter sério.
“Minha cabeça doeu um pouco, foi só.”-Menti, baixando a cabeça, cheia de vergonha.
Por um segundo, me perguntei o que ele pensaria se soubesse que, mesmo contra minha vontade, eu gostei da carícia.
“É melhor pedirmos Billy para dar uma olhada.”-Respondeu ele, obviamente acreditando na minha mentira.
“Eu estou legal, eu não me importo...”-Dei de ombros. “Ninguém se importa!”
“Eu me importo.”-Disse Nicholas, em um tom sério.
Levantei a cabeça para encara-lo, não consegui disfarçar minha expressão de incredulidade. Fiquei extremamente confusa. Ele estaria falando a verdade ou zombando mais uma vez de mim?
Nicholas pigarreou, coçou a nunca e quebrou o silêncio.
“Me importo sim. Afinal, quem vai querer um escrava avariada?”-Lá estava o sorriso torto filho da mãe que eu tanto odiava.
Levantei-me abruptamente, chacoalhando os braços para dissipar as espumas. Eu estava chateada, mas não sabia por que. Eu já deveria esperar aquele tipo de resposta vindo de Nicholas.
Finalmente, consegui achar a porcaria das torneiras, as fechei e caminhei lentamente para fora do banheiro, agora que a espuma estava menos densa.
Nicholas também saiu do banheiro em silêncio. Nesse momento, era para estarmos tendo uma daquelas discussões, mas pareceu que ambos preferíamos ficar calados.
“Miley...”
“O que?”-Perguntei, passando a mão no corpo para tirar os vestígios de espuma.
“Eu vou te liberar desse lance de escravidão. Você só tem que fazer uma coisa.”-Nicholas estava com uma voz tão amistosa que até estranhei.
“Fala!”-Pedi. No meu íntimo, eu estava eufórica por estar prestes a me livrar das torturas.
“Você tem que pedir desculpas a Denise por ter estragado o almoço dela.”
Uma mistura de choque e revolta fervilhou pelo meu corpo.
“SEM CHANCE! EU NUNCA VOU PEDIR DESCULPAS ÀQUELA MOSCA MORTA INTERESSEIRA!”-Gritei, cerrando os punhos.
“Quanta maturidade! Você me faz massagem, limpa os quartos, cozinha e não quer fazer um simples pedido de desculpas?” 
“Isso é diferente, eu não pediria desculpas nem se ela estivesse morrendo!”-Eu falei sério, eu odiava profundamente Denise e, por nada no mundo, me humilharia para ela. Nicholas começava a mudar sua expressão serena para uma de pura raiva e eu soube que brigaríamos mais uma vez.
“Pois você vai pedir desculpas para a minha mãe, sim! Vai agora, Miley!”-Ordenou ele, apontando para a porta como se estivesse falando com uma criança. Aquilo mexeu com os meus sensíveis nervos.
Me aproximei do cretino até ficar a poucos centímetros, e disse lentamente em alto e bom som:
“Eu não pediria desculpas àquela interesseira nem se você estivesse vendendo minha alma!”
oservei satisfeita o olho esquerdo de Nicholas tremer, isso era sinal de que ele estava quase perdendo o controle.
Nicholas puxou o celular do bolso, mexeu no aparelho como se procurasse um número na agenda e apertou a tecla verde, me encarando com a carranca mais negra que já vi, vindo dele.
Minhas pernas tremeram levemente quando o vi pôr o aparelho no ouvido, mas me mantive imóvel retribuindo seus olhares de ódio. Ouvi baixinho alguém atendendo do outro lado da linha.
“Paolo, aqui é Nicholas Jonas, eu autorizo a venda da Fender. Pode fechar negócio agora!”
Senti como se um fogo me queimasse o corpo inteiro, eu estava inflamando de ódio.
Suguei o máximo de ar que podia pela boca, a última coisa que consegui ver antes da minha visão ficar turva de fúria, foi Nicholas desligando o celular. Foi a gota d´agua pra mim.
Me joguei com toda a força em cima de Nicholas. Tombamos no chão molhado do quarto. Eu não queria saber de mais nada, eu iria matá-lo. Agarrei com força seus malditos cabelos bagunçados e os puxei querendo arrancá-los.
“AÍÍÍÍ, SUA LOUCA!”-Gritou Nicholas, tentando me tirar de cima dele.
Ele nos rolou no chão, numa tentativa de ficar em cima de mim para imobilizar-me. Evitei, impulsionando meu corpo e nos fazendo rolar mais uma vez.
“EU VOU MATAR VOCÊ, SEU ESTÚPIDO JONAS!”-Gritei, fincando minhas unhas no pescoço do babaca, enquanto ele fazia força para afastar meus braços. Eu não sei de onde tirei tanta energia, nunca me senti tão invencível. Eu era uma super-mulher!
Infelizmente, a sensação durou apenas alguns segundos, pois Nicholas conseguiu tirar minhas mãos do seu pescoço, rolou nossos corpos outra vez , mas agora não consegui evitar que ele imobilizasse meus braços, apertando-os com força contra o chão.
“Seus pervertidos, se vão fazer sexo selvagem, pelo menos, fechem a porta! Tem gente inocente aqui!”-Falou Joe, que apareceu do nada. Então, fechou a porta violentamente.
Aquele seria mais um, na minha “lista da morte”.
Eu estava ofegante e o imbecil do Jonas também. Nos encaramos mergulhados no mais puro ódio.
“Dá para parar agora, sua pirralha?”-Perguntou ele, pressionando seu corpo ainda mais contra o meu.
Nem me dei o trabalho de responder. Em um ato de insanidade, lhe dei uma cabeçada violenta.
O quarto começou a girar rápido demais, e meus sentidos pareciam falhar. Ainda assim, ouvi um gemido vindo de Nicholas e senti ele sair de cima de mim. Minha cabeça que antes doía, agora parecia que ia explodir. Coloquei as duas mãos na testa, tendo certeza que dessa vez se formaria um galo.
“Que droga, Miley! Minha cabeça está doendo muito.”-Reclamou ele, também sentado no chão, com as mãos na cabeça.
Eu queria responder, mas não achei forças. Parece que as tinha esgotado, brigando com o calhorda.
“Não precisava ter agido como a garota do exorcista, eu só estava querendo lhe dar um susto. Eu vou ligar pro Paolo e dizer que desisti de vender a porcaria da guitarra!”-Falou, levantando-se para pegar o celular, que foi parar no outro lado do quarto.
Eu queria fazer o mesmo, mas minhas pernas tremiam. Confesso que foi um alívio imensurável quando Nicholas falou que ia ligar, cancelando a venda. Eu só queria que o pesadelo acabasse.
Acho que o Jonas percebeu que eu estava zonza demais para levantar, e me ajudou. Naquele momento, eu não pude recusar.
“Eu vou lhe dar 5 minutos para trazer minha guitarra de volta, do contrário, você verá a homenagem ao exorcista mais uma vez.”-Falei, cambaleando para fora do quarto, planejando ir à cozinha e tomar um analgésico, ou minha cabeça explodiria. 
Eu estava sentada à mesa da cozinha, quando Nicholas se aproximou, pálido. Será que eu bati nele com tanta força assim? Eu ia perguntar pela minha guitarra, mas minha atenção estava voltada para o babaca que enchia um copo com água e colocava bastante açúcar dentro.
“Toma isso!”-Disse ele, pondo o copo à minha frente.
“Por que?”
“Você quer ouvir primeiro a notícia boa ou a ruim?”-Falou, receoso. Isso me fez engolir seco. Eu sabia que algo de ruim tinha acontecido.
“A notícia ruim!”-Respondi temerosa.
Nicholas fez uma longa pausa e eu quase enfartei.
“Sua guitarra foi vendida por 4 mil euros.”-Petrifiquei. “A noticia boa é que já consegui entrar em contato com o cara que a comprou, oproblema é que ele só aceitará devolvê-la se lhe dermos mais 5 mil. Você vai arrancar meus cabelos novamente, não é?”
Nem me preocupei em olhar para a cara do infeliz. Eu, simplesmente, não conseguia acreditar no que estava ouvindo.
“Antes que você coloque a casa abaixo, quero dizer que dei outro telefonema e arranjei um jeito de conseguir esses 5 mil. Miley, você está me ouvindo?”
Eu bem conseguia ouvir, só não conseguia responder.
“MileyMiley? Você está tendo uma AVC?”-Ouvi Nicholas dizer isso, enquanto me chacoalhava os ombros.
“Como o futuro defunto acha que vai conseguir esse dinheiro?”-Perguntei, lhe lançando um olhar assassino. Nicholas deu um passo atrás.
“Eu tenho um amigo, o Liam, que organiza rachas, ele vai me encaixar no racha desta noite. O prêmio é 6 mil euros, eu vou ganhar e comprar sua guitarra de volta.”-Nicholas falou aquelas palavras, totalmente seguro.
“Um racha?”-Ergui uma sobrancelha.
Nicholas Narrando

Eu estava próximo à piscina, refletindo. Sequestrar a guitarra de Miley resultou em um verdadeiro caos e inundação do meu quarto. Eu pretendia fazer a garota acordar para a vida, ela era muito mimada, sempre tendo tudo que queria, todo mundo sempre fazendo vista grossa para seus erros. Pensei que um pouco de trabalho duro e alguém que lhe tratasse com rédeas curtas, fosse ajudar. Pelo contrário, isso desencadeou muita confusão e eu ainda fui agredido.
Bufei, esfregando o rosto, não via a hora do relógio marcar 22:00h para poder ir a esse racha, conseguir a grana e recuperar a estúpida guitarra. Para sorte de Miley, eu sou muito bom piloto, o melhor, eu diria. Eu sempre participava de rachas em Massachusetts, era assim que eu pagava a faculdade de medicina, mas isso era um segredo meu e de Joe, meu companheiro de quarto. Denise nem sonhava com isso, era fácil de esconder, já que ela continuava a morar em LA. Eu tinha certeza que somente uma pessoa poderia me vencer, meu grande amigo Liam Hemsworth. Nós começamos a correr juntos quando ainda éramos moleques, disputávamos sempre quando morávamos em Los Angeles, aliás, disputávamos tudo, desde uma partida de vídeo game até mesmo mulheres. Ainda assim, eu adorava o cara. Quando ele completou 18 anos, sumiu pelo mundo após mais uma briga violenta com seu pai. Liam sempre foi rebelde, explosivo e odiava autoritarismo. Passei anos sem ter noticias dele, agora ele deveria estar com uns 22 anos. Quando cheguei na Itália consegui seu telefone com um antigo colega, o Sam. Pelo que soube, agora os dois estão promovendo rachas pela Europa. Ele deve estar montado na grana. As habilidades dele como piloto são indiscutíveis.
Ouvi passos e quis me jogar na piscina quando vi quem era. Ah, não, lá vem o Joe, segurando seu laptop pré-histórico!
“Ah, cara eu estou deprimido!”-Falou ele, sentando-se ao meu lado e entupindo a boca com jujubas.
“O que foi, Joe?”-Perguntei contra gosto.
Joe, pelo amor de Deus, acorda! Isso é um travesti!”-Perdi a paciência.
“Não é não, cara! Eu teclei com ela a noite inteira!”-Respondeu ele, ofendido.
Eu gargalhei.
“CARA, ISSO É UM HOMEM! ACORDA, JOE! MULHERES NÃO TEM POMO DE ADÃO!”
A burrice em pessoa ficou me encarando assustado. Como ele não notou que era um traveco?
ESPERA, ELE DISSE QUE TECLOU A NOITE INTEIRA?
“Joe, você não fez sexo virtual com sua namorada, fez?”-Perguntei sério.
“DROGA!”-Gritou ao sair correndo.
“QUEM É O VIADÃO AGORA?”-Gritei alto suficiente para ele ouvir. Não podia deixar aquela passar.
Fiquei minutos rindo, enquanto imaginava Joe fazendo sexo virtual com um traveco.
Para o meu alívio, e, provavelmente, o de Miley, a noite logo chegou. Fui direto para a garagem, vestindo minhas típicas roupas de corrida: calça jeans, camisa branca de mangas compridas e jaqueta de couro. Para o meu desgosto, Miley já estava a minha espera. Joe e Emily também estavam lá.
“Para onde vocês vão?”-Perguntei temendo a resposta.
“Para o racha com você.”-Respondeu Emily.
“Quem disse para vocês que eu vou a um racha?”-Perguntei de idiota, pois Emily e Joe apontaram para Miley.
Revirei os olhos. Já sabia que, com aqueles três, minha noite ia ser uma verdadeira loucura!